A Lição, ou The Glory, é a mais série sul-coreana da Netflix que tem deu o que falar. Dirigida por Gil Ho Ahn e roteirizada por Kim Eun-sook, a produção ficou muitas mais semanas no top 10 das séries mais assistidas da plataforma.
A trama acompanha Moon Dong-eun, uma jovem que durante o ensino médio foi vítima de violência e bullying praticados por outros alunos. Agora, adulta, Dong-eun planeja minuciosamente cada passo para se vingar daqueles que transformaram sua vida em um inferno.
Anos depois, a principal agressora se casa e tem uma filha. Quando a menina entra no ensino fundamental, a ex-vítima se torna sua professora. É aí que começa a vingança contra agressores e espectadores dos seus dias de bullying.
O dorama não apenas impressiona com sua trama envolvente de abuso e vingança, mas também encontra raízes em eventos reais. Com protagonismo de Song Hye-kyo e Lee Do-hyun, a série coloca um holofote sobre um problema social que afeta jovens no mundo todo: o bullying nas escolas.
A criadora Kim Eun-sook se sentiu compelida a falar sobre o grave problema de bullying escolar que há muito assola a Coreia do Sul após uma conversa profunda com sua filha. Ela também entrevistou diversas vítimas de violência escolar para compreender a profundidade do trauma.
Uma das cenas mais marcantes, protagonizada por Dong-eun, reflete um evento real ocorrido em 2006 na Coreia. No dorama, a jovem é brutalmente agredida por Park Yeon-jin e seu grupo ao ser queimada com uma chapinha de cabelo, resultando em lesões terríveis.
O contraste social também é central. Enquanto Moon Dong-eun vem de uma família pobre, Park Yeon-jin, sua principal agressora, se aproveita dos privilégios da família rica para ser protegida por professores e pela polícia.
A realidade sombria da série lança luz sobre um problema profundo e complexo na sociedade coreana. O aumento das denúncias de bullying, que dobraram em apenas cinco anos no país, destaca a urgência de abordar essa questão e oferecer apoio às vítimas. Algo que nós, brasileiros, também devemos nos atentar.
Apesar das medidas governamentais, como a Lei Especial sobre Prevenção da Violência Escolar de 2004, a Coreia do Sul ainda enfrenta altos índices de suicídio entre jovens vítimas de bullying. A Lição não apenas entretém, mas levanta discussões importantes sobre o mundo real, destacando a necessidade de mudanças sociais para proteger os jovens e criar ambientes mais seguros e igualitários.
Em Vincenzo, a alusão ao clássico O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, não é aleatória. O dorama coreano de 2020, bebe, e não é pouco, dessa rica fonte quando se trata de referências aos filmes e séries do gênero. A diferença é que Vincenzo é uma produção sul-coreana e, apesar de muitos ingredientes como violência gráfica e reviravoltas surpreendentes, a trama tem uma dose generosa de comédia.
Vincenzo é o "advogado da máfia", um consigliere que muito jovem foi adotado por uma família italiana. Sua mãe, com câncer, decidiu entregar o filho por pensar que seus dias estavam contados. Drama, lágrimas e tragédias também são pontos altos deste empolgante e viciante dorama.
Um carregamento de ouro e peças raras faz com que Vincenzo volte à terra natal. Após conflitos com seu meio-irmão mafioso, cujo pai morreu, o jovem advogado segue para a Coreia do Sul. Lá, acaba se envolvendo numa trama de assassinatos, traições e crimes corporativos movidos pela ganância de um grupo poderoso chamado Babel. O nome diz muito sobre a empresa, que contrata um escritório de advocacia não menos inescrupuloso.
A Babel faz de tudo para expulsar os moradores de um prédio onde, por coincidência, está escondido o ouro de Vincenzo. Ele passa a ajudar essas pessoas, assim como o advogado idealista responsável pelo caso. Ele vive às turras com a filha, também advogada, pois ela trabalha na defesa da Babel. No entanto, depois de uma tragédia, a jovem muda de lado e engrossa as fileiras contra o famigerado grupo.
Ao longo dos 20 episódios, com duração de uma hora e meia cada, acompanhamos cada um dos movimentos e planos arquitetados por ambos os lados nesta guerra que terá um surpreendente saldo de corpos pelo caminho. É impressionante a capacidade criativa dos roteiristas no desenvolvimento do enredo. São poucos os episódios que acabam sem um forte gancho para os seguintes.
Nada é o que parece, e ficamos à mercê das tantas reviravoltas que ocorrem. Impressionam ainda as idas e vindas quando alguns fatos são explicados, porque nada é aleatório: tudo tem uma razão, um motivo, um porquê.
Trata-se, no fim das contas, da eterna batalha do bem contra o mal, não importando se o protagonista seja um assassino da máfia. Os vilões são terríveis e fazem jus ao título, pois realizam maldades sempre certos da impunidade. A ganância e a ambição são os combustíveis que movem os bandidos, sempre bem vestidos — verdadeiros lobos em pele de cordeiro.
Muitas vezes vemos, Vincenzo como um Michael Corleone coreano. Não apenas pela postura, mas pela frieza, inteligência e estratégias para, não apenas derrotar, mas humilhar os inimigos. Não é justiça, pois ele não acredita nela. É a velha, boa e eficaz vingança. Ah, Vincenzo sempre cumpre suas promessas.