Maria Antônia Oliveira Chaquian, aos 72 anos, guarda em imagens um fio que costura memórias, afetos e trajetórias, a narrativa de uma vida que atravessa do Maranhão a Rondônia e se fortalece nos encontros familiares que sustentam suas lembranças.
Nascida na Ilha de Canárias, no Maranhão, deixou o estado ainda criança para viver em Porto Velho, acompanhada de uma tia. A viagem, feita de navio, marcou sua infância em uma época em que a cidade era pequena, sem carros ou táxis, e em que os deslocamentos aconteciam a pé.
Na vida de Maria, a arte sempre ocupou um papel fundamental. Artesã, dançarina e atriz envolvida com o teatro, ela se dedica aos ensaios no Palácio das Artes, às aulas de dança na Casa da Cultura e à participação em feiras de artesanato. O crochê, que aprendeu aos 15 anos, abriu caminhos para sua independência financeira. Mais tarde, descobriu novas linguagens, como o trabalho com sementes de açaí, que levou para feiras em diferentes estados, de Minas Gerais a Recife.
Atualmente, Maria Antônia integra a Feira do Sol, fundada há 12 anos e hoje localizada no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho. Ao lado de colegas artesãs, mantém vivo um ofício que também se tornou parte de sua identidade. Entre uma feira e um ensaio, dedica-se aos três filhos e aos quatro netos — quase todos adultos, com exceção da neta mais nova, de 17 anos, que herdou da avó a paixão pelo teatro.
Na juventude, Dona Maria casou-se antes de completar 20 anos e estabeleceu sua família em Rondônia. Uma das fotografias mais significativas registra a chegada de seus pais a Porto Velho, por volta dos anos 1980, quando se mudaram oficialmente para a cidade. A imagem mostra os pais, seus filhos e uma neta, simbolizando o reencontro familiar e a recomposição dos laços após anos de distância.
Entre recordações de infância e juventude, Maria Antônia revive a sensação de ter feito parte de uma família numerosa, composta por 16 irmãos. O retorno à terra natal ocorreu apenas 35 anos após a partida, quando já era mãe de filhos crescidos. A dedicação à criação da família é uma marca importante de sua trajetória: hoje, todos os filhos estão formados e inseridos no mercado de trabalho. A família cresceu com a chegada dos netos. Uma fotografia especial retrata o batizado de sua neta mais nova na Igreja São Luiz Gonzaga. A ocasião reuniu filhos, noras, netos e o marido falecido, simbolizando a importância da religiosidade e da união familiar para Maria Antônia.

Para Maria, o batizado foi um momento de alegria e uma ocasião solene que reuniu toda a família - Acervo pessoal
As fotografias que guarda retratam momentos marcantes de uma trajetória construída por vivências significativas. Para Maria Antônia, esses registros representam uma vida tecida por memórias afetivas, resistência cultural e vínculos familiares que atravessam gerações
Perfil escrito a partir de relatos de registros fotográficos de Maria Antônia Oliveira Chaquian, 72 anos, artesã, em entrevista concedida em agosto de 2025.
Beatriz é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
As fotografias fazem parte do acervo pessoal da entrevistada.
Maria Antônia Oliveira Chaquian, 72 anos, artesã