RETRATO DE MULHER: Leia o perfil 'Mirian Penha Franco: uma vida de luta, amor e superação'

A jornada desta destemida mulher começou em um sítio, que ficava na linha 204, Km 10, em Rolim de Moura

RETRATO DE MULHER: Leia o perfil 'Mirian Penha Franco: uma vida de luta, amor e superação'

Foto: Mirian Franco e o então marido, Erick Angelim, na redação do jornal Alto Madeira (2000) / Reprodução de acervo pessoal

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Mirian Penha Franco é uma mulher que simboliza a força e a resistência. Nascida em São Paulo, resolveu seguir seu coração. Pegando carona, aos 25 anos embarcou numa aventura rumo a terras desconhecidas: Rondônia, um estado recém-criado, no ano de 1982. Onde, como conta Mirian com os olhos brilhando e as lembranças em ebulição, construiu uma vida repleta de desafios e muitas conquistas.
 
O sonho
 
A jornada desta destemida mulher começou em um sítio, que ficava na linha 204, Km 10, em Rolim de Moura. Foi lá que ela e seu marido Fabiano foram morar, numa casinha de lascas de coqueiro, uma construção modesta, chão de terra batida, sem energia elétrica e água encanada, nada de conforto ou luxos, mas cheia de significado, era uma nova vida, no meio da natureza, no coração da Amazônia, como sonhava.
 
Apesar das dificuldades com suas escolhas e de ter deixado o quinto período do curso de jornalismo, em São Paulo, diz com a cabeça balançando positivamente, que encontrou alegria e propósito em seu trabalho como professora em uma escola rural, lecionando no Pró-Rural (um ensino multisseriado). Apesar dos recursos limitados, destaca sua dedicação e criatividade, mas diz que sentiu falta da didática, para ensinar seus alunos.
 
Assim como a emancipação do município de Rolim de Moura, a carreira de Mirian como jornalista também começou a se desenvolver. Ela trabalhou como operadora de Telex - fazendo a comunicação entre a prefeitura e a cidade de Porto Velho, onde logo foi notada pela agilidade, como conta com entusiasmo, tornando-se a mais nova Assessora de Imprensa na administração municipal. Cobria eventos, fazia cerimônias, fotografava e começara a escrever para o primeiro jornal da cidade - O Correio do Estado.
 
Em 1989, Mirian já era mãe de duas crianças, Ícaro, nascido em 1984, e Mina Dânae, em 1986. Com o intuito de concluir o curso de jornalismo, ela se dividiu entre São Paulo e Santa Catarina, levando os dois filhos e deixando o marido na cidade.  A vida ficou mais difícil durante aquele ano e, frustrada por não conseguir concluir o curso, resolve retornar para Rondônia. Um amigo falou sobre uma oportunidade em Pimenta Bueno e Mirian logo conseguiu o cargo de Assessora de Imprensa, depois foi Chefe de Gabinete e nomeada Secretária de Bem-Estar Social.
 
O casamento
 
Ao longo de sua jornada, Mirian enfrentou desafios pessoais e profissionais. No ano de 1992, seu casamento chega ao fim - conta com seus olhos azuis presos ao tempo, como se as palavras fossem ouvidas ou ditas naquele momento. Tal data torna-se inesquecível, já que o mandato do presidente mais jovem do país - o Caçador de Marajás - Fernando Collor estava sendo cassado naquele mesmo dia. Era hora de reconstruir, começar uma nova história, com a licença dos contos literários na frase “Era uma vez…” Uma mãe solteira e desempregada.
 
O Recomeço
 
Mirian disse adeus a Pimenta Bueno e foi recomeçar na capital de Rondônia, Porto Velho. Seus contatos a levaram a Emater, onde trabalhou por seis anos como Assistente Técnica da Assessoria de Comunicação, jornalista e posteriormente tornaria-se a Diretora Interina de Comunicação. Durante esse período, participou da elaboração e montagem do programa Rondônia Rural, que a empresa tinha em parceria com a emissora TV Rondônia, onde viajava para contar as histórias dos produtores rurais e sobre a agricultura.
 
Novamente o sol voltou a brilhar e Mirian largou a mão da solidão, casou-se com o jornalista Erick Angelim e, juntos, construíram uma vida em Ji-Paraná. Erick foi convidado a fundar o Jornal Folha de Rondônia, onde ela tornou-se editora de Agricultura com facilidade, pela experiência em seu último emprego. Também trabalhou como editora de Cidade no Jornal Alto Madeira de Ji- Paraná, depois foi realocada para Porto Velho, onde foi editora de Cidade e de Política, período que teve a oportunidade de cobrir a queda das Torres Gêmeas, em 2001.
 
Uma jovem determinada
 
A paixão de Mirian Penha Franco pela história e pelo jornalismo a levou ao curso de História na Universidade Federal de Rondônia (Unir) e, na sequência, a fazer Mestrado em História da Amazônia, tendo como objeto de estudo do trabalho de conclusão de curso (TCC) o Jornal Alto Madeira: “Entre Notícias e Poder: o papel do Jornal Alto Madeira na formação do Território Federal do Guaporé (1930-1950)”, concluído em 2024. Ela superou obstáculos, construiu uma vida em um lugar novo e perseguiu seus sonhos. Recentemente, voltou à UNIR para concluir o curso de Jornalismo que havia iniciado em São Paulo em 1979.
 
Trago a trajetória dessa jovem e determinada mulher que, aos 67 anos, faz sua história ser uma inspiração para todas as mulheres 50+ que guardaram seus sonhos na gaveta do esquecimento.
 
 

 
 
 
Perfil escrito a partir de relatos de registros fotográficos de Mirian Penha Franco, 67 anos, jornalista, em entrevistas concedidas em abril de 2025.
 
Amelia Neves é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
 
As fotografias fazem parte do acervo pessoal da entrevistada.
 
O perfil é uma atividade do projeto de extensão Retrato de mulher – Relatos de histórias de vida de mulheres a partir de registros fotográficos, vinculado ao curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), sob a orientação da professora Andréa Cattaneo.
Direito ao esquecimento

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