ESTUDO: Psicopatia no trabalho pode se esconder atrás de simpatia e manipulação

A principal conclusão dos estudos é que comportamentos destrutivos podem permanecer ocultos

ESTUDO: Psicopatia no trabalho pode se esconder atrás de simpatia e manipulação

Foto: Reprodução

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Nem sempre a psicopatia aparece associada a crimes violentos ou comportamentos extremos. Pesquisadores apontam que alguns indivíduos com traços psicopáticos podem atuar em ambientes comuns, usando simpatia, influência e estratégias sociais para controlar relações, especialmente no ambiente profissional.
 
A psicopatia é definida como um conjunto de características como baixa empatia, ausência de remorso, manipulação, mentira recorrente, emoções superficiais e tendência a usar outras pessoas para alcançar objetivos. Especialistas ressaltam que ter traços psicopáticos não significa necessariamente cometer crimes.
 
Durante décadas, os estudos sobre o tema foram baseados principalmente em homens, especialmente presos, criando a imagem de um perfil ligado à agressividade e violência. Pesquisadores afirmam, porém, que em mulheres a manifestação pode ser diferente, com maior uso de manipulação social, vitimização, fofocas, isolamento e influência indireta.
 
A pesquisadora Fiona Girkin, que estudou comportamentos psicopáticos femininos em ambientes de assistência social na Tasmânia, destaca que algumas pessoas conseguem manter uma aparência positiva enquanto adotam atitudes prejudiciais nos bastidores.
 
Um estudo conduzido por Girkin e pela professora Sharyn Curran ouviu 13 profissionais da área. Entre os relatos, participantes disseram ter convivido com colegas que apresentavam padrões como falta de responsabilidade, mentira e ausência de remorso. Os pesquisadores alertam, porém, que os relatos não representam diagnósticos clínicos.
 
Segundo especialistas, um dos desafios está na capacidade de adaptação dessas pessoas. Elas podem demonstrar cordialidade diante de superiores, clientes ou autoridades, enquanto apresentam comportamentos abusivos contra colegas específicos.
 
Entre os sinais apontados estão mudanças bruscas de comportamento conforme o público, dificuldade em admitir erros, tentativa constante de culpar terceiros, criação de conflitos e uso de alianças estratégicas para proteger a própria imagem.
 
A psicóloga Abigail Marsh, da Universidade Georgetown, destaca que uma das formas mais eficientes de influência pode ser justamente parecer gentil e conquistar a confiança das pessoas.
 
Pesquisadores afirmam que o objetivo não deve ser diagnosticar colegas, mas identificar padrões de comportamento prejudicial. Casos de manipulação, humilhação, sabotagem ou perseguição precisam ser tratados independentemente do rótulo utilizado.
 
Especialistas recomendam que vítimas de ambientes tóxicos evitem o isolamento, registrem situações de abuso, busquem apoio de pessoas confiáveis e utilizem canais formais da empresa.
 
A principal conclusão dos estudos é que comportamentos destrutivos podem permanecer ocultos quando são protegidos por uma imagem social positiva, como a de uma pessoa carismática, prestativa ou bem relacionada.
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