A Europa enfrenta, no verão de 2026, ondas de calor recordes, mas continua com um dos menores índices de uso de ar-condicionado entre as regiões desenvolvidas. Segundo a CNN, apenas cerca de 20% dos lares europeus possuem aparelhos de climatização, contra quase 90% nos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde informou que mais de 1.300 mortes relacionadas ao calor foram registradas no continente desde 21 de junho de 2026.
A baixa adesão é, em parte, histórica. Especialistas da Agência Internacional de Energia afirmam que a Europa não desenvolveu uma cultura de refrigeração porque, até poucas décadas atrás, longos períodos de calor extremo eram incomuns. Muitas construções, principalmente no Reino Unido, foram erguidas antes de 1900, dificultando a instalação de sistemas modernos.
Questões regulatórias também influenciam. Durante a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia, Espanha e Itália limitaram a temperatura mínima do ar-condicionado em edifícios públicos e comerciais. Em Genebra, na Suíça, a instalação pode exigir justificativa técnica ou médica.
O debate ambiental também pesa. Estudo de 2022 citado pela CBS News estima que o ar-condicionado responda por cerca de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa, aproximadamente o dobro da aviação. Além disso, os aparelhos contribuem para o efeito de ilha de calor ao liberar calor no ambiente externo.
Apesar disso, a adoção cresce. Na Itália, o índice de residências com ar-condicionado passou de 10% a 15% em 2003 para 56% em 2024. No Reino Unido, o número de casas com o equipamento dobrou em três anos, chegando a cerca de 4 milhões.
A onda de calor também afeta a rotina e a economia. Na França, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre passaram a fechar mais cedo em alguns dias devido às temperaturas extremas. Autoridades também alertam para perdas de produtividade e impactos econômicos provocados pelo calor.
A Agência Internacional de Energia projeta que o número de aparelhos de ar-condicionado na Europa dobrará até 2050, enquanto a Organização Meteorológica Mundial afirma que o continente aquece cerca de duas vezes mais rápido que a média global.