A investigação da Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro recebia por WhatsApp comprovantes de pagamentos destinados ao grupo político do senador Ciro Nogueira. Os registros teriam sido recuperados nos aparelhos eletrônicos apreendidos com o empresário.
Os documentos são citados na decisão do ministro André Mendonça que autorizou a operação de busca e apreensão contra o senador. A ação também teve como alvos um irmão de Ciro e um primo de Vorcaro. O irmão do parlamentar passou a usar tornozeleira eletrônica, enquanto o parente do banqueiro foi preso temporariamente.
Na decisão, Mendonça afirma que a investigação reúne “comprovantes bancários de transferências, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas, em tese, entre integrantes da organização criminosa”.
Segundo a apuração, os questionamentos sobre repasses a “Ciro” eram acompanhados pelo envio de comprovantes de movimentações bancárias, incluindo dados das contas de destino.
A Polícia Federal sustenta que Raimundo Neto e Silva Nogueira, irmão do senador, atuava como “agente de sustentação formal e operacional” da estrutura empresarial ligada à família de Ciro. Para os investigadores, ele administrava uma empresa usada para dar “cobertura documental” a operações que teriam servido para ocultar transferências de vantagens econômicas ao núcleo político investigado.
A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma que o senador não recebeu repasses de Daniel Vorcaro. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, declarou que o parlamentar “obviamente não estava à frente dos negócios” da família.
Por decisão do Supremo Tribunal Federal, Ciro Nogueira e o irmão estão proibidos de manter contato durante o andamento das investigações.