A crise política em Cacoal ganhou novos desdobramentos após uma troca pública de declarações entre o prefeito Tony Pablo (Podemos) e o deputado estadual Laerte Gomes (PSD). O embate ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026 e ampliou a tensão entre grupos políticos ligados ao ex-prefeito Adailton Fúria.
Durante conversa em grupo político, Laerte Gomes criticou duramente a postura do prefeito de Cacoal e classificou como “traição” o rompimento de alianças políticas pouco tempo após a eleição municipal.
“Eu não concordo é com traição. É o cara te botar num lugar e com menos de dois meses você fazer um negócio desse”, declarou o parlamentar.
O deputado afirmou ainda que questões como “conduta”, “ética” e “caráter” são essenciais nas relações políticas e defendeu que decisões sejam tratadas diretamente entre aliados, sem exposição pública.
Em resposta, Tony Pablo negou qualquer compromisso político para as eleições de 2026 e afirmou que sua prioridade é a administração do município.
“Eu não sou pré-candidato a nada nessas eleições. Vou trabalhar para o povo de Cacoal”, disse o prefeito.
Tony Pablo ressaltou que mantém relação política de 17 anos com Fúria, mas afirmou que não aceitará interferências externas em sua gestão.
“Eu tenho toda liberdade e autonomia para tomar as decisões que entender importantes para a população”, afirmou.
O prefeito também rebateu críticas sobre suposta falta de gratidão política e relembrou sua atuação ao lado do ex-prefeito em momentos considerados decisivos para o grupo político local.
Durante o debate, Tony Pablo aproveitou para expor dificuldades financeiras enfrentadas pela prefeitura de Cacoal. Segundo ele, o município acumula déficit de aproximadamente R$ 2,9 milhões na saúde, além de fluxo de caixa negativo próximo de R$ 8 milhões e novos custos relacionados ao funcionamento do hospital municipal.
O prefeito cobrou apoio institucional dos parlamentares estaduais.
“Quem tem mandato precisa ajudar Cacoal”, declarou.
A troca de acusações evidenciou o avanço das disputas internas entre grupos políticos que já se movimentam para a sucessão estadual de 2026. Tony Pablo afirmou que não aceitará o papel de “capacho” ou “boneco político” de antigos aliados e reforçou que sua prioridade será a gestão municipal.
Já Laerte Gomes declarou que continuará colaborando com o município, independentemente das divergências políticas.
“A nossa equipe e o gabinete estão à disposição de Cacoal”, afirmou o deputado.
O episódio repercutiu nos bastidores políticos e nas redes sociais de Rondônia, colocando Cacoal no centro das discussões sobre alianças e reposicionamentos para o próximo ciclo eleitoral.