O Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) abriu uma investigação para apurar a suposta prescrição e venda direta do medicamento Mounjaro por um médico atuante no município de Rolim de Moura, na Zona da Mata rondoniense. O procedimento foi registrado na edição nº 126 do Diário Eletrônico do MPRO, publicada nesta segunda-feira (13).
De acordo com o Extrato de Portaria Nº 000035/2026, a 1ª Promotoria de Justiça de Rolim de Moura instaurou o Procedimento Preparatório nº 2025.0013.012.59089. O documento oficial, assinado em 10 de julho de 2026, tem como objetivo explícito "averiguar suposta prescrição e venda do medicamento Mounjaro pelo médico O. S. C.”.
A investigação busca apurar sobre o que pode ser um comércio irregular e direto do medicamento dentro de consultórios da região.
O Mounjaro (tirzepatida) tornou-se recentemente um dos medicamentos mais procurados do mercado, sendo frequentemente prescrito de forma off-label (fora da bula original) para promover a perda rápida de peso.
Riscos à saúde e mercado paralelo
A febre por resultados estéticos imediatos tem alimentado um mercado perigoso. Segundo informações do portal Vida Saudável, mantido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, a aquisição de remédios para emagrecimento no mercado paralelo, visando burlar a necessidade de receita médica, expõe o paciente a graves riscos.
A instituição alerta que o uso dessas medicações exige acompanhamento clínico e exames laboratoriais constantes, e que o processo de emagrecimento seguro deve ser guiado por médicos, nutricionistas e educadores físicos.
Os perigos dos tratamentos anti obesidade sem o devido controle também são alvo de alertas no meio acadêmico. Conforme dados de um estudo recente sobre os riscos dos medicamentos para obesidade, publicado na revista científica Research, Society and Development, fármacos modernos que atuam como agonistas de receptores (a exemplo da liraglutida e semaglutida, que possuem mecanismos de ação análogos na regulação do apetite e glicose) podem apresentar efeitos colaterais severos.
A pesquisa destaca que, além de náuseas, vômitos e diarreia, há o risco do aumento da incidência de pancreatite aguda e interações medicamentosas perigosas. Os pesquisadores reforçam que a prescrição e a supervisão médica especializada são essenciais para adaptar o tratamento e minimizar os riscos à saúde do paciente.
O MPRO agora seguirá com as diligências em Rolim de Moura para apurar se a conduta do médico investigado violou as normas sanitárias vigentes e o código de ética médica ao supostamente comercializar o produto.