‘ORGULHO DE SER UNIR’: Após anos de estudo, formandos relatam frustração em colação de grau

Cerimônia que reuniu concluintes de seis cursos no auditório do Sintero foi marcada por falhas na climatização, problemas estruturais nos banheiros, apagão de luzes e queixas sobre a organização

‘ORGULHO DE SER UNIR’: Após anos de estudo, formandos relatam frustração em colação de grau

Foto: Auditório ficou lotado na noite desta quinta-feira (14), com visitantes do interior e de outros estados / Rondoniaovivo

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A noite de quinta-feira (13), deveria representar a consagração acadêmica de dezenas de estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). No entanto, a colação de grau das turmas de Jornalismo, Geografia, Ciências Contábeis, Ciências Biológicas, Matemática e Química foi marcada pelo descontentamento com as condições físicas do local escolhido para a solenidade: o auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero), no Arigolândia, em Porto Velho (RO).
 
O encerramento de um ciclo de dedicação que se estendeu por quatro, cinco e até seis anos transformou-se, para alunos e seus convidados, em uma experiência de desconforto e calor. Relatórios e registros fotográficos organizados pelos próprios formandos de Jornalismo expuseram um cenário de infraestrutura precária para abrigar o público previsto.
 
 
Calor e falhas nos serviços básicos
 
 
De acordo com o levantamento técnico preparado pelos estudantes, o auditório do Sintero conta com 16 aparelhos de ar-condicionado, mas apenas cinco estavam funcionando no dia do evento. Desses cinco, somente três operavam com capacidade adequada para amenizar as altas temperaturas da capital rondoniense. O Rondoniaovivo acompanhou o evento e viu dezenas de convidados com leques improvisados, irritados com a quentura e a frustração. 
 
A situação causou mal-estar em familiares e amigos dos concluintes, muitos dos quais se deslocaram de municípios do interior do estado (ou até mesmo de outros estados) apenas para acompanhar o ato.
 
Os problemas estruturais estenderam-se aos sanitários do prédio. Relatório dos estudantes apontou que o banheiro masculino funcionava com apenas uma torneira ativa, além de apresentar falhas no sistema de descarga e total ausência de banheiros adaptados com acessibilidade para pessoas com deficiência. O banheiro feminino também registrou problemas recorrentes de vazão e descarga. No dia do evento, a reportagem constatou que os banheiros sequer tinham água corrente.
 
 
 
FOTO: Reprodução
 
A queixa dos formandos também recaiu sobre os aspectos visuais e sonoros da celebração. Devido à falta de um palco de altura adequada, os convidados acomodados nas fileiras traseiras do auditório tiveram a visibilidade prejudicada. A ornamentação do espaço foi considerada insuficiente, agravada pelo fato de o local ter abrigado outra formatura na noite anterior, quarta-feira (12), e foram registradas oscilações e falhas na sonorização da solenidade (praxe para a maioria dos eventos da e na universidade).
 
Em dado momento, no meio da cerimônia, um apagão de luzes fez com que os convidados e os estudantes usassem os celulares como lanternas.
 
 
CAPTURA DE TELA: Reprodução
 
Burocracia e sugestões ignoradas
 
 
Segundo os relatos dos universitários ouvidos pela reportagem, a escolha do auditório do Sintero foi confirmada pela equipe de cerimonial responsável pela solenidade apenas poucos dias antes da data marcada, após meses de indefinição.
 
 
 
FOTO: Reprodução
 
 
Durante o período de planejamento, os representantes das turmas buscaram apresentar espaços alternativos e manifestaram disposição para cooperar na busca por um ambiente condigno com uma colação de grau de uma instituição de ensino superior federal. Contudo, as propostas dos estudantes não foram acolhidas pela organização. 
 
A articulação para a reserva de outro prédio também teria sido inviabilizada porque a equipe de cerimonial não emitiu o ofício administrativo indispensável para formalizar as tratativas de cessão de espaço.
 
 
"Tratados como improviso": desabafo no púlpito
 
 
A frustração acumulada ao longo dos preparativos foi o eixo central do discurso de formatura proferido pela concluinte de Jornalismo, Larysse Rodrigues, que desabafou pelo coletivo no auditório.
 
Em seu pronunciamento, a recém formada jornalista lembrou o marco de 29 de agosto de 2022, data em que a turma ingressou na única universidade pública do estado. 1.445 dias de trajetórias diárias até o campus José Ribeiro Filho, localizado na BR-364 e distante do Centro da cidade. Superando inclusive uma pandemia para construir pesquisas, projetos de extensão e conquistar prêmios de jornalismo locais e nacionais. Todo o esforço, ressaltou ela, ocorreu em paralelo a rotinas de trabalho, estágios e sacrifício da vida pessoal.
 
Ao final de sua fala, a oradora traduziu o sentimento dos formandos diante das falhas de organização do evento: "Essa instituição que tanto amamos e que lutamos para levar o nome com orgulho em nossa trajetória não foi capaz de nos proporcionar uma conclusão de ciclo adequada. É triste, doloroso e decepcionante pensar que fomos tratados como improviso. Não merecemos isso. A nossa família não merece".
 
 
CAPTURA DE TELA: Durante a formação, a jornalista realizou pesquisa sobre cultura, culinária e identidade regional - Reprodução
 
Apesar do descontentamento com as condições físicas do encerramento do curso, Rodrigues pontuou que os estudantes seguiram firmes em sua formação por compreenderem que o estudo rigoroso e o diploma técnico são as respostas necessárias contra a desvalorização da classe profissional. 
 
"O jornalista não dá voz a ninguém. Reverberamos, ampliamos e damos alcance às vozes que já existem", concluiu a formanda - mesmo que frustrada. 
 
 
Outros cenários
 
 
Enquanto o descontentamento marcou a noite das faculdades reunidas no Sintero, as demais solenidades do cronograma de colações de grau do semestre letivo de 2026.1 ocorrem em locais variados, como o Teatro Banzeiros, na região central de Porto Velho, além de auditórios do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) e de câmaras municipais no interior, cobrindo os campi de Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Rolim de Moura, Guajará-Mirim e Vilhena entre os meses de julho e agosto.
 
 
FOTO: O campus principal da universidade fica localizado perto da Vila Princesa - Reprodução de UNIR
 
Esse fluxo de formandos coincide com um ciclo de ampliação na oferta de ensino da UNIR, que implementou nove graduações entre 2023 e 2026 , incluindo as habilitações em Direito em Vilhena e Ariquemes, Engenharia Civil em Ji-Paraná e Matemática em Porto Velho. Para além disso, a instituição planeja abrir 285 vagas em oito novos cursos de graduação gratuitos nas áreas de saúde e tecnologia a partir do ano de 2027. 
 
A proposta, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC) por meio do programa Universidades Transformadoras, prevê ingresso via Sistema de Seleção Unificada (SiSU) com notas do Enem para formações como Psicologia, Inteligência Artificial, Ciência da Computação e Fonoaudiologia, esta última tornando a UNIR a primeira universidade pública da Região Norte a ofertar a habilitação.
 
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