ESTUDO BRITÂNICO: IISS mostra como garimpo ilegal aproxima o crime organizado na Amazônia

Estudo do IISS aponta avanço das redes criminosas sobre o ouro e fragilidades no controle estatal

ESTUDO BRITÂNICO: IISS mostra como garimpo ilegal aproxima o crime organizado na Amazônia

Foto: Operação/PF

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A mineração ilegal de ouro na Amazônia brasileira está cada vez mais integrada a redes de crime organizado, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e controle territorial, segundo estudo do International Institute for Strategic Studies (IISS), publicado em setembro de 2026. A pesquisa, assinada por Irene Mia e Fernanda Rios Herrera, aponta que a combinação entre grandes áreas remotas, fronteiras porosas, presença limitada do Estado e dificuldades de fiscalização cria condições favoráveis à expansão das atividades ilegais. 
 
O relatório destaca que o Brasil se tornou um ponto central da economia ilegal do ouro na Amazônia. O país concentra mais de 60% da floresta amazônica e responde por cerca de 85% da perda florestal da região, enquanto a atividade mineradora apresenta níveis elevados de ilegalidade e avança inclusive sobre terras indígenas e unidades de conservação. 
 
Um estudo acadêmico publicado em agosto de 2026 reforça esse diagnóstico. Pesquisadores identificaram 34 organizações criminosas ou grupos armados não estatais envolvidos na cadeia do ouro ilegal na Amazônia, vários deles também relacionados ao tráfico de drogas. A pesquisa aponta compartilhamento de logística, rotas, controle territorial e fluxos financeiros entre diferentes mercados ilícitos. 
 
Ouro como fonte de financiamento
 
De acordo com o IISS, a alta do preço do ouro aumenta o incentivo econômico para a expansão do garimpo ilegal. A informalidade também amplia os riscos: o instituto estima que 75% a 85% do setor de ouro na Amazônia seja informal, contra 40% a 50% globalmente. 
 
 
O metal também apresenta características que favorecem sua utilização por organizações criminosas: pode ser transportado em pequenas quantidades, convertido rapidamente em dinheiro e inserido em cadeias formais por meio de mecanismos de lavagem.
 
A pesquisa acadêmica identifica ainda que a relação entre mineração ilegal e crime não se limita ao tráfico de drogas. Extorsão e controle territorial aparecem como as atividades criminosas mais frequentemente associadas ao garimpo ilegal, seguidas por proteção armada, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, transporte internacional de ouro, tráfico de armas e tráfico de pessoas. 
 
Problema ultrapassa fronteiras
 
O IISS ressalta que a bacia amazônica possui aproximadamente 8,4 milhões de quilômetros quadrados, distribuídos por oito países e um território ultramarino. Essa dimensão dificulta o controle das rotas de mineração, transporte e comercialização do ouro e exige cooperação entre os países amazônicos. 
 
 
Para os pesquisadores, o enfrentamento do problema depende de maior integração entre órgãos públicos, melhoria da rastreabilidade do ouro, harmonização das regras entre países e cooperação regional. O instituto também defende programas de formalização da atividade e medidas capazes de impedir que o ouro extraído ilegalmente seja incorporado ao mercado legal.
 
O diagnóstico ocorre em um cenário no qual o garimpo deixou de ser apenas uma questão ambiental. A expansão das redes criminosas transforma a exploração ilegal de ouro também em problema de segurança pública, controle territorial e financiamento de outras atividades ilícitas na Amazônia.
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