IMPACTO GRADUAL: Redução nos combustíveis pode aliviar custos do transporte em Rondônia

Nesta semana, a Petrobras reduz querosene de aviação e encerra subsídio ao diesel

IMPACTO GRADUAL: Redução nos combustíveis pode aliviar custos do transporte em Rondônia

Foto: Reprodução

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Essas reduções podem refletir em Rondônia que tem dependência do transporte fluvial, rodoviário e aéreo de alto custo

 

A Petrobras anunciou nesta semana uma redução de 14,5% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras e, em conjunto com o governo federal, participou do processo de encerramento da subvenção temporária concedida ao diesel durante a alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. As medidas refletem a queda das cotações internacionais da commodity e devem contribuir para aliviar custos em setores estratégicos da economia, embora os efeitos para o consumidor final ocorram de forma gradual.

 

Transporte aéreo

 

No caso do querosene de aviação, o corte entrou em vigor em 1º de julho e representa uma redução de R$ 0,81 por litro nas vendas às distribuidoras. É o segundo reajuste consecutivo para baixo promovido pela estatal, após a acomodação dos preços internacionais do petróleo. Apesar da redução, o combustível ainda acumula alta de 40,5% em relação ao fim de 2025.

 

 

A queda tende a reduzir os custos operacionais das companhias aéreas, já que o combustível representa uma das principais despesas do setor. Entretanto, a redução nas tarifas das passagens não é automática, pois depende de fatores como demanda, concorrência entre empresas, câmbio e estratégias comerciais das companhias.

 

Para Rondônia, o efeito somente será percebido se houver redução nos preços de passagens aéreas. O estado figura como o destino mais caro do país. Além da redução do preço do combustível de aviação é necessário gestão política para garantir a redução nos preços de passagens.

 

Transporte rodoviário de cargas

 

Já no mercado de combustíveis rodoviários, o governo iniciou a retirada gradual dos subsídios criados para conter os impactos da disparada do petróleo durante a crise geopolítica no Oriente Médio. A primeira medida foi o encerramento da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel. Simultaneamente, a Petrobras reduziu em igual valor o preço do combustível nas refinarias, mantendo o preço médio de venda para as distribuidoras em R$ 3,30 por litro e evitando um aumento imediato para transportadores e consumidores.

 

Segundo o governo, o fim gradual dos subsídios foi possível porque o preço internacional do petróleo retornou a níveis próximos aos registrados antes da escalada do conflito. A equipe econômica também informou que avalia a retirada das demais subvenções ainda existentes, incluindo as concedidas ao diesel e à gasolina, caso o cenário externo permaneça favorável.

 

 

As medidas podem ajudar a conter pressões inflacionárias nos próximos meses. A estabilidade do diesel reduz custos do transporte de cargas e da logística, o que tende a beneficiar a cadeia de abastecimento de alimentos e produtos industriais. Já a redução do querosene de aviação pode melhorar as margens das empresas aéreas e, caso seja parcialmente repassada ao mercado, favorecer a queda dos preços das passagens, impulsionando o turismo e as viagens de negócios.

 

Efeitos em Rondônia

 

A redução do preço do querosene de aviação anunciada pela Petrobras e o início da retirada dos subsídios aos combustíveis pelo governo federal podem gerar reflexos positivos na economia de Rondônia, principalmente nos custos do transporte rodoviário e fluvial, modais fundamentais para o abastecimento e o escoamento da produção do estado.

 

Em um estado fortemente dependente do transporte rodoviário, a manutenção de preços mais baixos para o diesel tende a reduzir os custos das operações logísticas. O impacto pode alcançar o transporte de cargas e as passagens de ônibus, já que boa parte dos produtos consumidos em Rondônia chega por rodovias e tem o preço final influenciado pelo frete. O agronegócio também comemora sendo que a produção agrícola em alta escala e dependente do diesel que movem os tratores e implementos.

 

Além do transporte terrestre, a navegação também deve ser beneficiada. As embarcações que operam nos rios amazônicos utilizam diesel como principal combustível, o que influencia diretamente os custos das exportações e do transporte de mercadorias. O modal hidroviário é estratégico para Rondônia, sendo responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado externo e pela chegada de produtos essenciais, como gás de cozinha, combustíveis e fertilizantes.

 

 

A redução dos custos dos combustíveis pode contribuir para diminuir as despesas logísticas das empresas e reduzir pressões sobre a inflação. No entanto, o repasse desses ganhos ao consumidor final não ocorre automaticamente. Sem mecanismos eficientes de fiscalização e um ambiente de concorrência entre distribuidores e comerciantes, parte da redução pode não chegar aos preços pagos pela população.

 

Na prática, isso significa que, mesmo com custos menores para o transporte, os rondonienses podem continuar pagando caro por alimentos, materiais de construção, combustíveis e outros produtos de consumo caso a redução não seja refletida ao longo da cadeia de distribuição.

 

Outro fator que pode limitar esses efeitos é o cenário internacional. A política de preços dos combustíveis continua sensível às oscilações das cotações do petróleo, às variações do dólar e ao ambiente geopolítico. Caso haja nova alta no mercado internacional, a tendência de redução poderá ser interrompida, influenciando novamente a inflação e os custos da atividade econômica no Brasil e, consequentemente, em Rondônia.

 

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