Já está disponível no catálogo do serviço de streaming da HBO Max este filme de suspense com pitadas de terror, muito, muito interessante, “Morando com o Medo” (Within/2016), que traz no elenco a ótima atriz Erin Moriarty, novinha, antes do estrelato com a série The Boys, da Prime, onde ela faz a super-heroína “Luz-Estrela”.
Vou citar uma referência particular que tem a ver com o que senti assistindo a esse filme.
Uma das coisas de que eu gosto de curtir no YouTube são os canais de registros de eventos sobrenaturais ou assombrosos. Geralmente são vídeos registrados por celulares, câmeras de segurança ou até mesmo por grupos de amigos ou pessoas solitárias que exploram locais abandonados e considerados assombrados, registrando com câmeras como GoPro, buscando views — acesso. Geralmente, 95% desses vídeos são fakes, pareidolia ou armados; os outros 5% não têm explicação lógica, e vai de cada um acreditar se é real ou não.
Pois é, o que eu observo nesses vídeos de invasão em locais inóspitos — que por vezes chamam de “exploração urbana” ou “caça a espíritos” — e considerados assombrados não é o fato de ter um espírito ou um fantasma ali, mas sim gente de verdade: um psicopata, alguém violento que não quer ser incomodado. São os vivos que me dão aflição, e não os mortos.
Escrito isso, no filme “Morando com o Medo” vamos lidar com uma família que acaba de se mudar para uma bela casa em um condomínio de classe média alta. Um viúvo, John (Michael Vartan), sua filha adolescente Hannah (Erin Moriarty) e sua nova esposa Melanie (Nadine Velazquez) chegam ao local em busca de uma nova vida e de recomeçar. Hannah, no entanto, está de castigo pelo pai após ter dado uma festa escondida na casa onde moravam antes, e ocorreu uma confusão e bagunça.
Mas logo de cara vamos perceber que a linda casa, cuja família anterior deixou parte dos móveis, tem algo errado.
Sim, parece que vamos para um filme da tradicional de “casa mal-assombrada”, onde, no início, somente Hannah vai perceber que há coisas estranhas acontecendo.
A trama é gradual, um pouco lenta para percebermos qual seria o mistério do desconforto que o ambiente daquela casa provoca na adolescente, mas vamos notar barulhos incomuns nas paredes, no sótão, portas de armários que se abrem sozinhas ou um móvel que muda de lugar sem explicação.
Quando Hannah está dormindo em seu quarto, alguma força misteriosa puxa o seu cobertor. Seu gato tem um comportamento estranho, como se tivesse medo de algo naquela casa. O filme vai costurando esses detalhes sem explicar nada, apenas dando a sugestão de ser um local com algo misterioso ou sobrenatural.
Na garagem da casa estão objetos e tralhas deixados pela família anterior que morava ali. John coloca Hannah na missão de arrumar tudo aquilo. E é ali que as melhores pistas do que vem acontecendo no interior da casa mudam a percepção da jovem, principalmente quando ela descobre fotos da família anterior e que eles morreram misteriosamente dentro da casa — um fato que John não contou para a família e que ajudou a comprar o imóvel por um preço acessível.
Como Hannah fica sozinha na casa quase o dia todo, pois sua madrasta e o pai trabalham fora, ela faz uma investigação interna com os objetos que vai encontrando na garagem, como cadernos rabiscados de forma desconexa, documentos e fotos.
O detalhe são algumas pistas falsas que o filme vai deixando em algumas sequências, como um vizinho bisbilhoteiro e até mesmo o namoradinho de Hannah que vem vê-la. Há um segredo no sótão que vai culminar em uma importante cena no terço final do filme, mas o grande detalhe é que toda a motivação desses eventos misteriosos tem uma explicação lógica e, por incrível que pareça, condiz com o que observo em casos de locais supostamente mal-assombrados. Não são os mortos, mas os vivos que devemos temer.
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Não vou dar spoiler. O filme, dirigido por Phil Claydon e com roteiro de Gary Dauberman, não é nenhuma obra-prima do suspense e tem alguns clichês comuns, o que inclui cenas de sustos inesperados. Mas um filme que inicia sua abertura com uma tomada de câmera que reproduz o filme clássico “Poltergeist - O Fenômeno” (1982), escrito e produzido por Steven Spielberg, e com cenas que rememoram “As Criaturas Atrás das Paredes” (1991), do mestre do terror Wes Craven (o mesmo da trilogia Pânico), tem algo de positivo a mostrar.
É um filme acima da média e que, no seu terço final, pega fogo, com uma reviravolta inesperada e brutal. Vale a pena conhecer e assistir.