CRISE NA VENEZUELA: Trump confirma ataque intenso e diz que Nicolás Maduro foi capturado

Presidente americano não informou, no entanto, para onde o líder venezuelano foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado que forças americanas realizaram um "ataque de grande escala" contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em sua plataforma Truth Social. O presidente americano afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para às 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo um senador americano, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o líder venezuelano foi preso para enfrentar um julgamento nos EUA.

 

"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos".
 
O presidente americano não informou, no entanto, para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
 
 
 
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
 
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
 
Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. "Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois", escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.
 
As explosões ocorrem depois Trump enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
 
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
 
 
'Muitas explosões e tiros'
 
Na capital venezuelana, o clima, segundo uma das fontes, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.
 
Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional da Comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.
 
Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que mora em um bairro próximo ao Forte Tiuna disse que ouviu explosões desde as 2h.
 
Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora — disse. — As janelas tremeram e eu me escondi em um quarto sem janelas.
 
Também perto do Forte Tiuna, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador de El Valle, disse:
 
Parece uma metralhadora, como se estivessem se defendendo de bombardeiros — afirmou, acrescentando: — Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.
 
Na cidade costeira de La Guaira (norte), separada da capital apenas por uma montanha que delimita o vale de Caracas, também foram relatadas explosões durante a madrugada. Vídeos obtidos pela AFP mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da costa.
 
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano. Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.
 
O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.
 
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 115 mortes. Em paralelo, Washington mobilizou o maior destacamento militar no mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis, em 1962, com o maior porta-aviões do mundo, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.
 
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.
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