O poeta passarinho chamado Mário Quintana - por Humberto Oliveira

O poeta passarinho chamado Mário Quintana - por Humberto Oliveira

Foto: Divulgação

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
Neste 5 de maio de 2026, completam-se 32 anos da morte de Mario Quintana (Mario de Miranda Quintana), poeta gaúcho que nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1906, e se encantou - como diria outro mestre, Guimarães Rosa  -  em Porto Alegre, no mesmo estado, em 1994.
 
Recentemente li a biografia de Mario Quintana, escrita pelo jornalista Gustavo Grandinetti, com o sugestivo título "Passarinho do Contra". A obra é uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais da vida e da trajetória deste grande poeta brasileiro, de versos inspirados, por vezes irônicos, líricos e confessionais. 
 
 
Um dos representantes da segunda geração do Modernismo brasileiro, a poesia de Mário Quintana está marcada pelo verso livre e reflexão existencial. Multifacetado, era cronista genial, assim como brilhante e sublime como poeta, jornalista e tradutor de alto coturno. Traduziu nomes como Proust, Voltaire, Virginia Woolf e Balzac, trazendo para o português a mesma leveza que marcava seus próprios versos.
 
"A Rua dos Cataventos", seu livro de estreia, foi publicado quando o poeta já tinha mais de 30 anos. A demora não impediu que se tornasse um dos maiores poetas do século XX, o “poeta das coisas simples”. 
 
De ironia fina e olhar lírico sobre o cotidiano, Quintana fez da simplicidade sua maior grandeza. Não gostava de títulos e definiu-se certa vez como "um cara que faz versinhos". 
 
Mas era muito mais: foi mestre do epigrama, do soneto e da crônica poética. Nunca se casou, não teve filhos e viveu boa parte da vida em quartos de hotel. Dizia que "a preguiça é a mãe de todos os vícios, e como mãe, deve ser respeitada".
 
O poeta ironizava a sociedade burguesa, as convenções sociais, a riqueza, a arrogância, a presunção dos sábios e dos poderosos, enfim, era um homem do contra. 
 
Em 1980, recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL), ironicamente a mesma instituição que o recusaria três vezes. E, no ano seguinte, o prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. 
 
Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez à ABL, mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, foi Mario quem recusou a Academia com a célebre frase: "Eu já estou na História".
 
 
Entre suas obras publicadas estão, além do já citado "A Rua dos Cataventos" (1940): "Canções" (1945), "Sapato Florido" (1947), "Espelho Mágico" (1948), "O Aprendiz de Feiticeiro" (1950), "Poesias" (1962), "Pé de Pilão" (1968), "Apontamentos de História Sobrenatural" (1976), "Quintanares" (1976), "Nova Antologia Poética" (1982), "Batalhão das Letras" (1984), "Baú de Espantos" (1986), "Preparativos de Viagem" (1987) e "Velório sem Defunto" (1990).
 
Em 1983, o Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980 em Porto Alegre, transformou-se na Casa de Cultura Mario Quintana, hoje um dos principais espaços culturais do Sul do país.
 
Mario Quintana se encantou aos 87 anos de idade no dia 5 de maio de 1994, deixando uma obra que cabe inteira no bolso, mas que pesa uma vida.
 
 
Alguns dos versos inesquecíveis:
 
Poeminho do Contra
 
  "Todos esses que aí estão  
  Atravancando meu caminho,  
  Eles passarão...  
  Eu passarinho!"
 
Do Amor
 
  "O amor, quando se revela,  
  Não se sabe revelar.  
  Sabe bem olhar pra ela,  
  Mas não lhe sabe falar."
 
Seiscentos e Sessenta e Seis
 
  "A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.  
  Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...  
  Quando se vê, já é 6ª-feira...  
  Quando se vê, passaram 60 anos...  
  Agora, é tarde demais para ser reprovado..."
 
Das Utopias
 
  "Se as coisas são inatingíveis... ora!  
  Não é motivo para não querê-las...  
  Que tristes os caminhos, se não fora  
  A presença distante das estrelas!"
 
Bilhete
 
  "Se tu me amas, ama-me baixinho  
  Não o grites de cima dos telhados  
  Deixa em paz os passarinhos  
  Deixa em paz a mim!"
 
Mario Quintana certamente merece uma biografia. Foi um dos maiores poetas nacionais. Se sua obra é bem conhecida, sua vida, nem tanto: solteirão convicto, amante da solidão, socialmente arredio, introvertido, porém com tiradas de um humor muito fino, que por vezes se transformava em sátira contundente, mas sofisticada. Teve amores, inclusive com desilusões amorosas, paixões platônicas, silenciosas, até que ele próprio foi objeto de uma paixão proibida. 
 
Teve uma vida simples, franciscana, morando em pensões e hotéis, pois não se dava com as exigências práticas da vida comum. Ganhava pouco, mas fazia generosidades impensáveis. Recebeu muitos prêmios literários, e assim seguiu Quintana, entre glórias e mágoas. O tempo passou, mas o poeta continuou passarinho.
Direito ao esquecimento
Você acredita que as igrejas devem pagar imposto?
O que você acha das obras e da largura da pista na Estrada dos Periquitos?

* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site