Eleições 2026: Alguns pitacos - por Daniel Pereira

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Viramos o ano e o calendário nos olha com aquela malícia de quem guarda surpresas. Entramos na contagem regressiva para o nosso ritual quadrienal: aquele domingo de outubro em que o cidadão, imbuído de uma esperança que a lógica desmente, vai à urna escolher o seu destino e o dos seus próximos deputados, senadores e governantes.
 
Nos corredores do poder em Rondônia, o esporte favorito não é o planejamento estratégico, mas a fofoca de gabinete. A imprensa, sempre atenta aos ruídos de louça quebrada, anuncia que o Governador Marcos Rocha e seu vice, Sérgio Gonçalves, andam às turras. É uma espécie de "crise número um contra número dois", um vício de época que parece ter vindo no pacote do bolsonarismo, onde o vice é sempre visto como um conspirador em potencial ou um estorvo decorativo.
 
Enquanto isso, no CPA, os "adivinhos" de plantão — essa raça que tenta ler o futuro em xícaras de café e planilhas de Excel — garantem que o palácio já faz acenos para o prefeito Fúria. Política é assim: um olho no aliado e o outro no retrovisor.
 
A história local é rica em duplas que começaram no altar e terminaram no cartório. Como esquecer Jerônimo Santana e Orestes Muniz em 1986? Jerônimo era um gigante, um homem de personalidade tão forte que enfrentava generais em tempos de caserna com a mesma facilidade com que criava rusgas com o próprio vice. Orestes, advogado de primeira grandeza e preparadíssimo, acabou comendo a poeira da ingratidão política em 1990. Na política, a competência é, muitas vezes, um detalhe que o eleitor esquece de levar para a cabine.
 
Rocha é o oposto de Jerônimo. Se Jerônimo impunha respeito pelo confronto, Rocha colhe vitórias enquanto é subestimado. Seus adversários, com uma arrogância que beira o cômico, tratam-no com desdém. Léo Moraes, em 2022, chegou a dizer que ele "não era coronel de verdade", sugerindo que o governador preferia o conforto do mocassim ao rigor do coturno. Rocha, impassível, venceu. Talvez o mocassim seja mais aerodinâmico para as urnas.
 
Agora, a peleja é interna. Exonerações de assessores do vice indicam que a paz palaciana foi para o espaço. É uma briga que faz a alegria da oposição e a tristeza da lógica. Rocha e os Gonçalves eram inseparáveis nos tempos de "vacas magras", quando o único patrimônio do atual governador era uma farda bem passada e a vontade de chegar lá. Os Gonçalves estavam lá, esperando o milagre que, de fato, aconteceu.
 
Em 2022, com o auxílio luxuoso de Hildon Chaves e a estratégia de Júnior Gonçalves — que inventou o "Tchau, Poeira", transformando asfalto em voto —, o grupo manteve o cinturão. Mas o poder tem esse efeito curioso: aproxima os estranhos e afasta os íntimos.
 
Para 2026, o vaticínio é simples. Se continuarem separados como os EUA e a Venezuela, em breve serão apenas dois ex-ocupantes de cargos, alimentando lembranças em alguma padaria da capital. Se ficarem juntos, como aquele macarrão grudento de domingo, têm a máquina na mão e o caminho aberto: um para o Senado, o outro para o Governo.
 
Como alguém que já sentiu o peso da cadeira de vice e de governador, conheço bem os "aloprados palacianos". Eles não querem proteger o chefe; querem garantir o estoque de benefícios para o inverno que começa em abril.
 
Juntos são fortes! Separados, apenas vítimas da hienas da política! A escolha é deles. Podem escrever um capítulo vitorioso ou terminar apenas dando "pitacos" em mesas de bar sobre a eleição que perderam por falta de juízo. O fruto, doce ou azedo, tem o sabor exato da decisão que tomarem hoje.
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