Há um certo temor dentro do BNDES de que o leilão para a concessão dos serviços de água e esgoto de Rondônia, marcado para 29 de setembro, tenha baixa competitividade. No cenário mais pessimista, técnicos envolvidos com o projeto não descartam sequer o risco de ausência de propostas. Responsável pela modelagem, o banco tem feito roadshows e reuniões individuais na tentativa de ampliar o número de potenciais candidatos. A preocupação passa, sobretudo, pela equação financeira do negócio. O futuro concessionário terá de investir cerca de R$ 4,2 bilhões e pagar uma outorga mínima de R$ 568 milhões. Ao mesmo tempo, o edital permite deságio de até 20% sobre a tarifa, comprimindo a receita projetada do vencedor.
Há também dificuldades intrínsecas à operação. A concessão reúne 40 municípios e pouco mais de um milhão de habitantes, uma combinação de grande dispersão geográfica e baixa densidade demográfica que encarece obras, manutenção e logística. O ponto de partida é igualmente desafiador: a cobertura de esgoto está na casa dos 15% e as perdas de água chegam a aproximadamente 44%, o que exigirá forte concentração de investimentos nos primeiros anos. Os estudos trabalham ainda com inadimplência de 12%, acima da premissa utilizada em algumas concessões recentes.
Completa o quadro o risco político. O projeto enfrenta resistências em Rondônia e o leilão será realizado em plena campanha eleitoral, aumentando entre investidores a percepção de eventual judicialização ou questionamento do contrato pelo próximo governo. Até agora, a Aegea é o nome que deu o sinal público mais claro de interesse e incluiu Rondônia em seu pipeline de possíveis futuros leilões