O usuário passa a decidir quando deseja verificar mensagens e interagir com outras pessoas
Foto: Divulgação/Netflix
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Manter o celular permanentemente no modo silencioso pode estar relacionado à tentativa de reduzir distrações, controlar o estresse e estabelecer limites na relação com a tecnologia.
A prática, porém, não significa necessariamente menor dependência do aparelho e, em alguns casos, pode até aumentar a frequência com que a pessoa consulta a tela.
A conectividade permanente transformou notificações, mensagens e chamadas em interrupções constantes da rotina.
Estudos sobre atenção mostram que essas interrupções podem prejudicar a concentração e dificultar a retomada de tarefas que exigem foco.
Para algumas pessoas, silenciar o aparelho é uma estratégia consciente para reduzir esse fluxo de estímulos.
O neurocientista Daniel J. Levitin, autor de The Organized Mind, relaciona a sobrecarga de informações e a expectativa de respostas imediatas à dificuldade de concentração.
A decisão também pode representar uma tentativa de estabelecer maior controle sobre a vida digital.
Em vez de reagir imediatamente a cada notificação, o usuário passa a decidir quando deseja verificar mensagens e interagir com outras pessoas.
Outro fator é o chamado tecnoestresse, termo criado pelo psiquiatra norte-americano Craig Brod para definir o estresse associado ao uso e à presença crescente das tecnologias no cotidiano.
A hiperconectividade pode provocar sensação de sobrecarga, tornando o silêncio das notificações uma forma de reduzir estímulos.
Há ainda uma dimensão social.
Manter o celular silencioso durante conversas e encontros presenciais pode demonstrar uma tentativa de preservar a atenção e evitar que o aparelho interrompa a interação.
Mas o modo silencioso não é, por si só, uma solução para o uso excessivo do celular.
Um estudo publicado em 2022 na revista Computers and Human Behavior indicou que a ausência de notificações sonoras pode levar algumas pessoas a verificar o aparelho com mais frequência, justamente pela incerteza sobre possíveis mensagens recebidas.
O comportamento pode estar relacionado ao chamado FOMO, expressão em inglês para o medo de perder algo importante.
Nesse caso, o celular deixa de emitir sons, mas continua ocupando espaço constante na atenção do usuário.
A principal diferença, portanto, não está apenas em desligar o som.
O benefício depende de uma mudança real na relação com o aparelho, incluindo controle do tempo de tela, redução das interrupções e definição de períodos em que a pessoa permanece efetivamente desconectada.
Silenciar o celular pode ajudar a reduzir distrações e criar momentos de maior tranquilidade, mas não garante, sozinho, menos ansiedade ou menor dependência digital.
A questão central é quem controla a atenção: o usuário ou as notificações.
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