NUNCA VISTO: Número de terremotos não está aumentando, dizem registros sísmicos

O catálogo mundial de terremotos registra atualmente cerca de 20 mil eventos por ano

NUNCA VISTO: Número de terremotos não está aumentando, dizem registros sísmicos

Foto: Magnific

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Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia, que deixou ao menos 111 mortos na segunda-feira (10), voltou a levantar a percepção de que o planeta estaria registrando mais abalos sísmicos.

Dados históricos, porém, não indicam aumento global da atividade sísmica; o que mudou foi principalmente a capacidade de detectar, localizar e divulgar os tremores.

O terremoto que atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira (10) provocou destruição em diferentes cidades, deixou dezenas de feridos e mobilizou equipes de emergência.

O tremor, de magnitude 7,4, teve epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi sentido em uma área ampla do país.

O episódio ocorre em um período no qual outros terremotos de grande intensidade registrados em diferentes partes do mundo, como Japão e Venezuela, reforçam a impressão de que os abalos estariam se tornando mais frequentes.

A percepção, entretanto, não é confirmada pelos registros de longo prazo.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o catálogo mundial de terremotos registra atualmente cerca de 20 mil eventos por ano, o equivalente a aproximadamente 55 tremores por dia.

O próprio órgão afirma que o aumento observado no número de registros nas últimas décadas não significa necessariamente que estejam ocorrendo mais terremotos.

A explicação está, em grande parte, na expansão das redes de monitoramento e na capacidade dos instrumentos de detectar eventos cada vez menores.

 

Cerca de 16 grandes terremotos por ano

Quando são considerados apenas os terremotos de maior magnitude, a média histórica também não aponta para uma tendência de crescimento.

O USGS estima que, desde o início do século XX, ocorram em média 16 grandes terremotos por ano.

Desse total, aproximadamente 15 apresentam magnitude entre 7,0 e 7,9, enquanto cerca de um chega a magnitude 8 ou superior.

Essa média, porém, não significa que todos os anos tenham exatamente a mesma quantidade de grandes terremotos.

A atividade sísmica apresenta variações naturais.

Em 2010, por exemplo, foram registrados 23 terremotos de magnitude 7 ou superior, acima da média histórica. Já em 1989, foram apenas seis.

Em 1988, houve sete.

Os dados históricos mostram, portanto, oscilações importantes de um ano para outro, sem que isso represente necessariamente uma mudança permanente no comportamento sísmico do planeta. 

Por que parece que há mais terremotos?

Um dos principais fatores é tecnológico. As redes de sismógrafos se tornaram mais extensas e sensíveis.

Com isso, terremotos que no passado poderiam passar despercebidos atualmente são identificados, localizados e catalogados.

O próprio USGS afirma que o catálogo de terremotos contém mais registros nos anos recentes justamente porque existem mais instrumentos sísmicos capazes de detectar os eventos, e não porque o planeta necessariamente esteja produzindo mais tremores.

 

A comunicação também mudou radicalmente. 

Um terremoto que aconteça a milhares de quilômetros pode ser conhecido em poucos segundos por meio de aplicativos, sites, redes sociais e sistemas automáticos de alerta.

Vídeos produzidos por moradores, imagens de câmeras de segurança e relatos publicados imediatamente ampliam ainda mais a percepção de frequência e intensidade desses eventos. 

Mais pessoas expostas também aumentam o impacto

Existe ainda outro elemento: a população mundial está maior e cada vez mais concentrada em cidades.

Isso significa que um terremoto de determinada magnitude pode atingir atualmente uma quantidade muito maior de pessoas do que atingiria em uma região menos povoada.

Por isso, o número de vítimas e o volume de imagens de destruição não devem ser usados isoladamente para concluir que os terremotos estão ficando mais frequentes.

A vulnerabilidade das construções, a densidade populacional, a localização do epicentro e a profundidade do terremoto são fatores decisivos para determinar o impacto.

O próprio USGS destaca que a magnitude mede o tamanho do terremoto, enquanto a intensidade descreve o grau de agitação experimentado em determinado local.

Um mesmo terremoto pode produzir efeitos muito diferentes dependendo das características da região atingida.

 

Ciência ainda não consegue prever terremotos

Apesar dos avanços tecnológicos, existe uma diferença fundamental entre detectar e prever um terremoto.

Atualmente, a ciência não consegue determinar antecipadamente, com precisão, a data, o local e a magnitude de um terremoto específico.

O USGS diferencia previsão sísmica de sistemas de alerta: a previsão exigiria saber quando, onde e com que magnitude o terremoto ocorrerá antes de começar. Isso ainda não é possível.

Já os sistemas de alerta precoce funcionam de outra maneira.

Eles detectam o terremoto depois que ele começa e podem enviar uma mensagem para áreas que ainda serão alcançadas pelas ondas sísmicas mais destrutivas.

Isso acontece porque as ondas sísmicas iniciais, geralmente mais rápidas e menos destrutivas, podem ser detectadas por sensores antes da chegada de ondas posteriores, que provocam movimentos mais fortes do solo.

Dependendo da distância entre o epicentro e a população, o sistema pode oferecer alguns segundos — em determinadas situações, dezenas de segundos — para que pessoas e equipamentos adotem medidas de proteção.

Esses sistemas, contudo, não eliminam o risco.

O tempo disponível varia conforme a localização do epicentro, a profundidade do terremoto e a distância até a região que receberá o alerta.

Em alguns locais próximos à origem do tremor, praticamente não há tempo para aviso prévio.

 

O planeta está tremendo mais?

Os registros disponíveis não sustentam essa conclusão.

O que existe é uma combinação de atividade sísmica naturalmente variável, instrumentos mais sensíveis, redes de monitoramento mais amplas, população urbana maior e comunicação instantânea.

O terremoto da Colômbia é, portanto, uma tragédia de grandes proporções, mas não constitui, isoladamente, evidência de que a Terra esteja entrando em uma fase de aumento generalizado dos terremotos.

Os dados históricos do USGS apontam para oscilações naturais na quantidade de tremores, enquanto o crescimento dos registros está fortemente associado à evolução da tecnologia de monitoramento. 

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