Após deixar milhares de estudantes da rede estadual sem aulas e virar alvo do Ministério Público de Rondônia (MPRO), a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) anunciou o restabelecimento do programa de Mediação Tecnológica. Segundo nota oficial divulgada pelo Governo, as transmissões e a produção de videoaulas começam a ser normalizadas gradativamente a partir desta quarta-feira (17).
No comunicado, a Coordenadoria de Mídias Educacionais (CME) da Seduc informou que as gravações dos conteúdos pedagógicos já foram reiniciadas visando garantir a continuidade do atendimento aos estudantes de todo o estado. Curiosamente, a pasta tratou o apagão que afetou a rede como um período de "adequações técnicas" e "reorganização dos serviços".
A justificativa amenizada no release contrasta com o que a própria cúpula da Seduc admitiu ao Grupo de Atuação Especial da Educação (Gaeduc) do MPRO no início da semana. Em reunião de urgência na última segunda-feira (15), a secretaria confessou aos promotores que a paralisação não teve como causa principal nenhuma falha tecnológica, mas sim um grave problema contratual com a empresa de produção audiovisual, agravado pela sucessão de contratos emergenciais.
Para justificar os dias em que os alunos ficaram com as telas desligadas, a Seduc ressaltou na nota que adotou medidas para minimizar os impactos, assegurando a disponibilização de atividades e materiais pedagógicos (via sistema Avamec) para manter o processo de ensino. O órgão também agradeceu a "compreensão, o comprometimento e o apoio" das Superintendências Regionais, equipes gestoras e professores mediadores durante a crise.
Apesar de assegurar que segue acompanhando o processo para garantir a "plena normalização do fluxo de gravação", a Seduc ainda tem pendências urgentes a resolver com os órgãos de controle. O Ministério Público cobrou a apresentação de um plano formal de recomposição da aprendizagem para curar a defasagem dos alunos prejudicados.
Como a secretaria admitiu anteriormente que o documento ainda "estava em construção", há possibilidade de instituir aulas aos sábados e aplicar simulados diagnósticos para reparar os danos.