Em 1º de julho de 1928, foi fundada em Benedito Timbó — atual município de Timbó, em Santa Catarina — a primeira seção oficial do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), conhecido como Partido Nazista, no Brasil. O grupo fazia parte da expansão internacional da legenda alemã, que naquele período buscava organizar comunidades de cidadãos alemães em outros países.
Durante a década de 1930, novas células do partido foram criadas em diferentes estados brasileiros, especialmente em regiões com forte presença de imigrantes alemães. O Brasil chegou a abrigar a maior estrutura oficial do NSDAP fora da Alemanha, com estimativas de aproximadamente 2.800 a 2.900 integrantes até 1938.
A participação no partido era restrita a cidadãos alemães, o que fazia com que a maioria dos membros fosse formada por imigrantes residentes no Brasil, e não necessariamente por brasileiros de origem alemã.
O lema “Deus, Pátria e Família” circulou entre os movimentos autoritários no Brasil, especialmente o integralismo, e também apareceu em alguns círculos ligados ao nazismo.
Expansão em comunidades de imigrantes
A atuação do NSDAP no Brasil ocorreu principalmente em comunidades germânicas organizadas no Sul e Sudeste do país. Os núcleos mantinham vínculos com a estrutura partidária da Alemanha e promoviam atividades políticas e culturais alinhadas ao nacional-socialismo de Adolf Hitler, que havia chegado ao poder em 1933.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentraram parte significativa dessas organizações, devido à presença histórica de colônias alemãs instaladas desde o século XIX.
Apesar do número expressivo de filiados em comparação com outros países, os integrantes do partido representavam uma parcela pequena da população brasileira e não chegaram a formar uma força política capaz de disputar espaço institucional no país.
Governo Vargas proibiu organizações estrangeiras
A atuação de partidos políticos estrangeiros no Brasil foi encerrada durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1938, após a decretação do Estado Novo, o governo proibiu organizações políticas de caráter estrangeiro, atingindo diretamente o NSDAP e outros grupos vinculados a ideologias internacionais.
Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial contra as potências do Eixo, em 1942, aumentou a repressão contra organizações associadas à Alemanha nazista. Comunidades de origem alemã passaram a ser monitoradas pelas autoridades brasileiras, principalmente em áreas onde havia maior concentração de imigrantes.
Legado histórico e grupos neonazistas atuais
Décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, o tema voltou a receber atenção devido ao surgimento de grupos neonazistas e organizações extremistas em diferentes regiões do Brasil.
Levantamentos acadêmicos e investigações policiais apontam a existência de pequenos grupos que defendem ideias associadas ao nazismo, racismo e discursos de ódio. A Região Sul, especialmente Santa Catarina, aparece com frequência em estudos e operações envolvendo essas organizações, embora esses grupos representem uma fração muito reduzida da sociedade.
Especialistas destacam que o conhecimento histórico sobre a presença do nazismo no Brasil é fundamental para compreender como ideologias extremistas se espalham e para preservar a memória sobre os crimes cometidos pelo regime nazista durante o século XX.
O episódio da criação da primeira seção oficial do NSDAP no país, em Santa Catarina, permanece como um dos capítulos mais marcantes da relação entre a história brasileira e os movimentos políticos internacionais do período entre guerras.