Devido à prática de assédio moral, o Conselho Estadual de Saúde (CES) decidiu denunciar o diretor do Hospital Regional de Cacoal, Marcelo Pandoin Canazaro, ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Ele é acusado de, na última quarta-feira, trancar uma servidora em uma sala e fazer uma série de ameaças. Canazaro estava acompanhado de mais duas pessoas na tentativa de intimidação. A servidora saiu do hospital chorando e registrou ocorrência policial.
O presidente do CES, Raimundo Nonato Soares, disse que anteriormente já houve uma reunião com o secretário-adjunto de Saúde, José Batista, devido a determinadas práticas cometidas no Hospital Regional de Cacoal. Ele adiantou que, como o secretário de Saúde Alexandre Muller não tomou providências, o jeito é acionar os promotores para que os problemas trabalhistas não se repitam.
As perseguições a servidores teriam começado logo após a nomeação de Marcelo Canazaro. Ele é ligado ao Pró-Saúde, empresa que tentou assumir o controle do Hospital Regional de Cacoal mas não conseguiu. O CES foi uma das entidades que se posicionou contra a terceirização de unidades de saúde em Rondônia.
O problema mais recente ocorreu porque Canazaro transferiu diversos funcionários do Hospital Regional para o Hospital de Base de Porto Velho. Como foram aprovados em concurso e estão com filhos estudando em Cacoal, os servidores não aceitaram a transferência, mas mesmo assim foram obrigados a se apresentar no HB.
No Hospital de Base, os funcionários foram informados que não havia chegado transferência alguma. Assim, voltaram a Cacoal. No Hospital Regional foi dito que eles não estavam em nenhuma escala de plantão porque haviam sido transferidos para o HB. Isso deixou os servidores desesperados, por isso eles começaram a pedir ajuda a deputados para resolver a questão.
Marcelo Canazaro teria se irritado com a movimentação dos funcionários. Na presença de diversos servidores disse que os deputados não mandavam coisa nenhuma no Hospital Regional de Cacoal. A Folha de Rondônia colheu nomes de funcionários que presenciaram a cena. Depois disso a funcionária que posteriormente registrou a ocorrência policial foi chamada à sala, onde teria sido constrangida pelo diretor.
“Não precisamos trazer ninguém de fora para ser diretor de hospital em Rondônia. Na Secretaria de Estado da Saúde temos gente competente para administrar a rede pública. A verdade precisa vir à tona, para que o governador saiba o que está acontecendo em Cacoal. Os servidores têm certeza de que ele não tem conhecimento dos fatos e deve estar pensando que os funcionários não quere trabalhar”, disse Raimundo Nonato.