ECONÔMICO: Fogão a hidrogênio usa água e promete reduzir custo e emissão na cozinha

O hidrogênio é imediatamente utilizado como combustível para a chama, enquanto o único subproduto gerado é vapor d’água

ECONÔMICO: Fogão a hidrogênio usa água e promete reduzir custo e emissão na cozinha

Foto: Divulgação

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Uma inovação desenvolvida pela startup indiana Greenvize propõe mudar a lógica do preparo de alimentos ao transformar água em combustível dentro do próprio fogão. O equipamento utiliza eletrólise para gerar hidrogênio em tempo real, consumindo cerca de 1 kWh de energia para até seis horas de uso contínuo uma fração do gasto de fogões por indução, que podem demandar entre 9 e 12 kWh no mesmo período.
 
O funcionamento se baseia em um eletrolisador de membrana de troca de prótons (PEM), tecnologia já utilizada em aplicações industriais e energéticas. Ao adicionar aproximadamente 100 ml de água destilada, o sistema separa as moléculas em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio é imediatamente utilizado como combustível para a chama, enquanto o único subproduto gerado é vapor d’água.
 
Na prática, o modelo elimina a necessidade de botijões de gás ou redes de distribuição, operando no formato plug-and-play. Isso permite integração com sistemas de energia solar residencial, ampliando a autonomia energética, especialmente em regiões com infraestrutura limitada.
 
O preço inicial varia entre US$ 1.128 e US$ 1.610, o que ainda representa uma barreira relevante. No entanto, a eficiência energética estimada em até 90% e a independência logística podem compensar o investimento no médio prazo, principalmente em locais onde o custo do gás é elevado ou o acesso é instável.
 
A proposta também se insere em um cenário global de transição energética. Segundo dados da ONU, mais de 2,5 bilhões de pessoas ainda dependem de lenha, carvão ou gás para cozinhar fontes associadas a emissões de carbono e impactos à saúde. Nesse contexto, soluções baseadas em hidrogênio aparecem como alternativa limpa, com potencial de reduzir emissões diretas no uso doméstico.
 
Apesar do avanço, há limitações claras. A escala de produção ainda é restrita, e o custo elevado dificulta a adoção em mercados emergentes justamente onde a tecnologia teria maior impacto social. Além disso, a eficiência geral depende da fonte de energia elétrica utilizada: se a eletricidade não for renovável, o benefício ambiental se reduz.
 
O conceito é tecnicamente consistente, mas ainda está em fase de validação comercial. O desafio não é provar que funciona isso já foi resolvido , mas tornar o produto acessível e competitivo frente às soluções tradicionais. Sem isso, a inovação tende a permanecer como nicho tecnológico, e não como alternativa de massa.
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