Um estudo publicado na revista científica Stroke acompanhou adultos por mais de dez anos e encontrou uma associação preocupante: pessoas que consumiam um refrigerante diet por dia apresentaram quase três vezes mais risco de desenvolver AVC isquêmico e demência do tipo Alzheimer.
Os pesquisadores analisaram fatores como idade, alimentação, pressão alta, diabetes e tabagismo e, mesmo após esses ajustes, a relação entre consumo frequente de bebidas adoçadas artificialmente e maior risco de doenças neurológicas continuou aparecendo nos dados.
O que pode explicar isso?
Segundo a nutricionista e pesquisadora Viviane Canziani Pagani, estudos vêm mostrando que os adoçantes artificiais podem interferir em processos importantes do organismo. “Eles podem alterar o metabolismo da glicose, desequilibrar a microbiota intestinal e influenciar mecanismos inflamatórios que afetam tanto os vasos sanguíneos quanto o tecido cerebral”, explica.
Para a especialista, isso poderia ajudar a explicar por que o uso contínuo dessas bebidas está ligado a desfechos neurológicos mais graves ao longo do tempo. “Ainda que a relação não seja de causa direta, a associação observada merece atenção. Não se trata apenas de calorias são substâncias que podem interferir em funções biológicas complexas”, acrescenta Pagani.
Importante: associação não é causalidade
Especialistas ressaltam que o estudo não prova que refrigerantes diet causam AVC ou demência. Ele indica uma associação consistente, que precisa ser confirmada por mais pesquisas clínicas e de longo prazo.
Alternativas mais seguras no dia a dia
Pagani recomenda opções mais naturais para hidratação cotidiana:
• água, preferencialmente ao longo do dia
• chás naturais sem açúcar
• água saborizada com frutas e ervas
“A saúde do cérebro e do sistema vascular é construída com escolhas repetidas. Pequenas mudanças, como reduzir bebidas adoçadas artificialmente, podem fazer diferença no longo prazo”, afirma.
Os resultados reforçam o alerta de que refrigerantes diet não são “caloria grátis” e que hábitos alimentares devem ser considerados de forma ampla para proteger o organismo.