RISCO DE NEGÓCIO: China pode limitar compra de carne do Brasil e isso afetaria Rondônia

Felipe Fabri, da Scot Consultoria, prevê recorde de exportações em 2025, mas aponta risco de criação de cotas pelo governo chinês

RISCO DE NEGÓCIO: China pode limitar compra de carne do Brasil e isso afetaria Rondônia

Foto: Divulgação

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As tendências da agropecuária nacional para 2025 e as perspectivas para o próximo ano foram tema de uma palestra ministrada por Felipe Fabri, analista de mercado da Scot Consultoria, na noite da última quinta-feira (6), em Porto Velho (RO). O evento foi promovido pelo Sicoob Amazônia e reuniu produtores rurais da capital e de municípios vizinhos.

 

 Zootecnista e especialista em mercado agropecuário, Fabri destacou que Rondônia se consolidou como um dos principais polos da pecuária brasileira, tornando-se referência nacional na produção de carne bovina.

 

“O ciclo da pecuária do Centro-Oeste veio para o Norte do país. Desde outubro de 2025, o mercado tem dado sinais de aumento no preço da arroba do boi”, afirmou o analista.

 

Exportações em alta e novos mercados

 

Segundo Fabri, 2025 deve marcar um recorde histórico nas exportações de carne bovina brasileira. O crescimento se deve à alta demanda global e à redução dos rebanhos em países consumidores.

 

“Os Estados Unidos estão com o menor rebanho bovino da história e com o maior consumo da história de carne. Eles precisam importar mais para suprir o mercado interno”, explicou.

 

Atualmente, a China é o principal comprador da carne brasileira, responsável por 63% das exportações, seguida pelos Estados Unidos, com 10%. O especialista destacou ainda a entrada do Brasil em novos mercados, como México, Rússia e Filipinas, além da ampliação de negócios com Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

 

Risco de restrições chinesas

 

Apesar do cenário otimista, Fabri fez um alerta sobre possíveis barreiras comerciais impostas pela China. O país asiático iniciou uma investigação para avaliar se a importação de carne estrangeira tem prejudicado os produtores locais.

 

 

“Os chineses estão estudando criar cotas para limitar a compra de carnes de outros países”, revelou.

 

 

Contexto internacional

 

O analista também comentou os impactos da política externa norte-americana sobre o setor. Após o aumento de 50% nas tarifas de produtos brasileiros decretado pelo presidente Donald Trump, em julho, houve apreensão entre os pecuaristas. Contudo, segundo Fabri, o cenário acabou se revertendo em novas oportunidades de mercado.

 

“O que parecia uma ameaça acabou abrindo novas portas. O Brasil segue forte no comércio global de proteína animal”, concluiu.

 

O evento promovido pelo Sicoob Amazônia integra uma série de encontros voltados ao fortalecimento da agropecuária regional e à discussão de tendências de mercado para os produtores do Norte do país.

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