Sarney, Renan, Jucá, Mercadante, Raupp e Cleide: farinhas do mesmo saco - Por Valdemir Caldas
Foto: Divulgação
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O Senado Federal está mergulhado numa crise sem precedente, depois que o presidente da instituição, senador José Sarney, foi apanhado com a mão na cumbuca das ilicitudes.
A sessão (se é que se pode chamar aquilo de sessão) de quinta-feira (6) foi marcada por troca de impropérios entre os senadores Renan Calheiros e Tasso Jereissati. Por pouco, a baixaria não descambou para cenas de pugilato.
Desde que explodiu o escândalo dos atos secretos, o Senado está paralisado, não vota nada, não produz nada, exceto denúncias e acusações. Projetos importantes para o país e que dizem respeito à vida da Nação, simplesmente foram abandonados nas gavetas da burocracia oficial.
Mesmo contra todas as evidências de que faltou com o decoro parlamentar, Sarney insiste em manter-se grudado na cadeira de presidente, com o apoio de parcela do PMDB de Raupp e, acredite-se, do PT de Lula, Aluízio Mercadante, Eduardo Suplicy e Fátima Cleide. E de pensar que o deputado Edmundo Barreto Pinto, eleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 1946, foi cassado pelo Congresso simplesmente por que posou de fraque e cueca para a revista O Cruzeiro.
Lamentavelmente, a culpa pela balbúrdia política que engolfa o Senado é do povo. José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Fernando Collor, Valdir Raupp e Fátima Cleide chegaram àquela Casa de Leis pela vontade soberana da população de seus estados. Foi o eleitorado que os elegeu.
Hoje, muitos eleitores que sufragaram os nomes de Raupp e Cleide, por exemplo, se declaram decepcionados e traídos, mas, na hora de votar, relegaram a um plano secundário o sentimento público, a experiência, o desprendimento, os valores éticos e tantas outras qualidades, que precisam compor o mosaico das preocupações dos políticos e dirigentes públicos.
Mercadante, Suplicy e Cleide estão numa encruzilhada. Não sabem se escutam as vozes das ruas, que pedem a saída de Sarney, ou, então, se mandam às favas a propalada ética petista e permanecem, como quer Lula, ao lado do presidente acusado, esquecendo-se, assim, de que a política não pode ser praticada com mesquinhez, mas com exemplar dignidade, procurando manter os valores éticos acima de interesses menores.
No próximo ano, o eleitorado será chamado a manifestar-se nas urnas. Vamos escolher presidente da República, governador, senador, deputados federal e estadual. Raupp e Cleide, aliados declarados de Sarney, despontam com eventuais candidatos.
Será a oportunidade de cada um avaliar o desempenho e a qualidade dos postulantes. Por mais que se esforcem para convencer os circunstantes de suas intenções em defesa dos interesses sociais, não precisa o eleitor ser muito arguto para saber de que lado estão Raupp e Cleide.
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