A FIFA encontrou uma nova fonte de receita sem criar um novo produto: aproveitou um espaço dentro da própria transmissão da Copa do Mundo. As pausas para hidratação durante as partidas passaram a ser utilizadas como oportunidade comercial, abrindo uma nova janela para anúncios de alto valor.
Em um formato aplicado durante o torneio, cada jogo teve intervalos de hidratação de cerca de três minutos, duas vezes por partida, em uma competição com 104 jogos. Esses momentos, antes vistos apenas como necessidade técnica para os atletas, passaram a representar um ativo publicitário.
Nos Estados Unidos, anúncios de 30 segundos exibidos durante esses intervalos chegaram a ser avaliados em até US$ 750 mil. A estratégia poderia representar mais de US$ 250 milhões em receita publicitária, sem a criação de uma nova categoria de produto ou serviço.
O movimento revela uma lógica comum no mercado: grandes empresas muitas vezes aumentam faturamento não necessariamente criando algo novo, mas identificando oportunidades dentro daquilo que já oferecem.
No caso da FIFA, o produto principal continua sendo o evento esportivo e sua transmissão. A organização apenas ampliou a capacidade de monetizar cada minuto de exposição da competição, transformando um intervalo obrigatório em espaço comercial.
A estratégia também serve como exemplo para empresas que buscam crescimento. Especialistas em gestão apontam que uma das formas mais eficientes de aumentar vendas é explorar melhor a base já existente de clientes, criando novas ofertas, serviços adicionais ou experiências relacionadas ao que já é consumido.
Para o consultor Alfredo Soares, do G4 Educação, esse tipo de oportunidade está dentro do próprio funil comercial: empresas podem encontrar novas fontes de receita analisando o comportamento dos clientes atuais e identificando demandas ainda não atendidas.
A lição deixada pela estratégia da FIFA é que crescimento nem sempre depende de lançar algo completamente novo. Muitas vezes, o maior potencial de expansão está escondido dentro dos ativos que uma empresa já possui.
* Com informações de G4 Business