Uma greve deflagrada por motoristas e monitores de ônibus escolar interrompeu o acesso à educação para dezenas de alunos da zona rural no distrito de União Bandeirantes, em Porto Velho (RO). O
Rondoniaovivo recebeu nesta terça-feira (30) vídeos de relatos gravados por pais de alunos da região. A paralisação, motivada por reivindicações salariais, é por tempo indeterminado, sem data ou horário específico para a retomada do serviço.
Registros da comunidade local mostram a frota de 26 ônibus escolares parada e encostada em frente à Escola Municipal de Ensino Fundamental 3 de dezembro. A interrupção nas viagens impactou o funcionamento das instituições de ensino.
A Escola Estadual César Freitas Cassol aderiu à greve e suspendeu totalmente as aulas, enquanto a Escola Municipal 3 de dezembro manteve o atendimento apenas no turno da manhã (recebendo os estudantes da área urbana que já haviam chegado), cancelando todas as atividades a partir do período da tarde.
A principal queixa das famílias é o impacto desigual da paralisação, que recai sobre os moradores dos sítios. "Nossos alunos que são das áreas rurais estão sendo prejudicados. Porque não teve rota para eles, não teve viagem para os ônibus, e os da cidade estão tendo", protestou um cidadão. O morador destacou ainda que o sucateamento do transporte na região é um problema antigo, muitas vezes agravado por falta de combustível, pontes precárias e estradas ruins.
Embora reconheçam que a reivindicação de melhorias salariais pelos motoristas é um direito legítimo, os pais das áreas rurais pedem que toda a comunidade paralise as atividades escolares em solidariedade, evitando que apenas os alunos dos sítios fiquem para trás no calendário escolar.
Em um vídeo de apelo, uma mãe cobrou a presença do chefe do Executivo municipal: "Prefeito, vem ver Bandeirantes, prefeito, porque quando você quis voto, você veio aqui".
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Rondoniaovivo tenta contato, via e-mail, com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e com a Superintendência Municipal de Integração Distrital (SMD). Este conteúdo será atualizado com o posicionamento dos órgãos responsáveis assim que estes responderem.
Outro lado
Prefeitura nega greve
Apesar dos vídeos gravados pelos moradores mostrarem a frota de 26 ônibus escolares enfileirada e parada em frente à escola, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) negou, em nota oficial, que tenha ocorrido greve ou paralisação das atividades nesta terça-feira (30). Segundo o órgão, "as aulas ocorreram normalmente nas unidades da zona rural atendidas pelo transporte escolar".
A secretaria admitiu, no entanto, que tomou conhecimento da "possibilidade de interrupção em algumas rotas" e enviou uma equipe técnica imediatamente a União Bandeirantes para dialogar com os profissionais.
A nota da prefeitura confirma parte das denúncias feitas pelos pais em relação à precariedade do serviço, ao reconhecer que os motoristas apresentaram "reivindicações relacionadas ao abastecimento de combustível, manutenção dos veículos e demais questões operacionais".
A Semed afirmou que essas questões estão sendo solucionadas pontualmente dentro dos trâmites administrativos para garantir a continuidade e a segurança do serviço, e ressaltou que mantém o compromisso de assegurar o direito à educação dos alunos da zona rural com "responsabilidade e diálogo".