Vilhena chega a 17 homicídios em 2026 e mantém histórico de violência letal elevado
Vilhena chegou ao 17º homicídio consumado em 2026 após o corpo de Cleber Cristiano da Silva, de 34 anos, ser encontrado na tarde da terça-feira (11), dentro de uma construção abandonada no bairro Alto Alegre, Setor 8. O número chama atenção principalmente quando colocado diante do histórico recente de violência letal no município.
Cleber foi localizado já em estado de rigidez cadavérica e com graves ferimentos na cabeça. Um pedaço de concreto estava sobre o corpo, levantando a suspeita de que ele tenha sido agredido com o objeto. A perícia deverá apontar a causa da morte e ajudar a esclarecer a dinâmica do crime.
A vítima pode ter sido assassinada durante a noite de segunda-feira (10) ou na madrugada de terça. O caso será investigado pela Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Contra a Vida (DERCCV).
O homicídio ocorreu menos de 24 horas depois de outro assassinato registrado no município. Na noite de segunda-feira, um detento de 32 anos foi morto a golpes de “chucho” por outro preso dentro do Presídio Cone Sul. Com os dois casos, Vilhena alcançou os 17 homicídios no ano.
Número ainda está abaixo do registrado nos últimos anos
Apesar de 17 assassinatos em pouco mais de sete meses representar um número expressivo, o total acumulado em 2026 ainda está abaixo do ritmo observado nos três anos anteriores.
Segundo levantamentos da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Vida e do Observatório Estadual de Segurança Pública, Vilhena terminou 2025 com 54 homicídios, exatamente o mesmo número registrado em 2024. Em 2023, foram 42 assassinatos, enquanto 2022 terminou com 38 casos.
Ano Homicídios em Vilhena
2022 38
2023 42
2024 54
2025 54
2026 17
Número acumulado até 11 de agosto.
A comparação mostra que houve uma escalada importante entre 2022 e 2024. Os 54 homicídios registrados em 2024 representaram aumento superior a 28% em relação aos 42 de 2023. O município manteve o mesmo patamar em 2025.
2026 apresenta ritmo diferente
Até 11 de agosto, os 17 homicídios registrados neste ano representam cerca de 31,5% do total contabilizado em todo o ano passado.
Se o número fosse projetado simplesmente pelo ritmo médio observado até agora, o município chegaria a aproximadamente 25 homicídios até o fim de dezembro. Essa projeção, porém, não significa uma previsão, já que os crimes não ocorrem de maneira uniforme ao longo do ano.
O dado mais importante é que, mesmo com um acumulado inferior ao dos anos anteriores, Vilhena continua registrando mortes violentas e teve dois homicídios em um intervalo inferior a 24 horas.
O histórico recente também ajuda a dimensionar o problema. Em 2023, foram 42 assassinatos; no ano seguinte, o número saltou para 54. Em 2025, o município repetiu os 54 casos e terminou o ano, proporcionalmente à população, entre os municípios com maior índice de homicídios de Rondônia.
Além dos homicídios consumados, a violência também é acompanhada por um número elevado de tentativas. Em 2025, por exemplo, foram contabilizadas 42 tentativas de homicídio em Vilhena, segundo levantamento divulgado no início deste ano.
Com o 17º assassinato de 2026, o município volta a colocar em evidência um problema que vem marcando os últimos anos: a dificuldade de reduzir de forma consistente os índices de violência letal, mesmo quando o número anual apresenta oscilações.
A investigação sobre a morte de Cleber Cristiano da Silva deverá esclarecer a autoria e a motivação do crime.