ESPINHA DE PEIXE: Agro, garimpagem e crime organizado pressionam BR-319 e fiscalização aumenta

Governo criará portais integrados em três municípios para reforçar proteção ambiental e segurança na rodovia, incluindo Porto Velho e Candeias do Jamari

ESPINHA DE PEIXE: Agro, garimpagem e crime organizado pressionam BR-319 e fiscalização aumenta

Foto: Reprodução internet

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O avanço da agropecuária, da abertura de ramais clandestinos e de atividades ilegais na área de influência da BR-319 levou o governo federal a ampliar os mecanismos de fiscalização e controle territorial no sul do Amazonas.

 

Até 2027, serão instalados portais de fiscalização integrada em Humaitá, Careiro e Manicoré, com participação do Ibama, ICMBio, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

 

A preocupação envolve a expansão da fronteira agropecuária e a abertura de estradas clandestinas, que facilitam o acesso a áreas protegidas.

 

Estudo do Observatório BR-319 identificou 18.897 quilômetros de ramais na região do interflúvio Madeira-Purus, dos quais 2.240 quilômetros estão dentro de unidades de conservação federais e 1.297 quilômetros em terras indígenas.

 

Com a pavimentação da rodovia, o efeito espinha peixe vem ampliando.

 

O padrão espinha de peixe na geografia é um formato de desmatamento que surge quando pequenas estradas ilegais (ramais) são abertas perpendicularmente a uma rodovia principal dentro da floresta 

 

 

Reportagens recentes também apontam a utilização desses corredores para desmatamento, grilagem e atividades associadas ao crime organizado.

 

A BR-319 é considerada um eixo logístico estratégico entre Manaus e Porto Velho, mas a expansão da infraestrutura aumenta a pressão sobre áreas antes isoladas.

 

A necessidade de fiscalização também aparece em ocorrências concretas.

 

Em junho, a Justiça Federal recebeu denúncia contra um homem flagrado transportando cerca de três toneladas de cassiterita ilegal pela BR-319, em Humaitá, com destino a Porto Velho.

 

 

Novas áreas protegidas

 

As medidas fazem parte de uma estratégia que combina proteção ambiental e territorial, desenvolvimento sustentável e mobilidade e integração.

 

O governo também prevê fiscalização e monitoramento ambiental, regularização fundiária e ambiental, gestão de unidades de conservação e reconhecimento de novos territórios indígenas. 

 

 

Na região foram criadas quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável: Tupana Igapó-Açu I, Tupana Igapó-Açu II, Canaã e Mirari. Juntas, as três primeiras somam mais de 645 mil hectares, enquanto a RDS Mirari possui 22.775 hectares.

 

As unidades têm entre seus objetivos a conservação da biodiversidade e a proteção dos modos de vida de populações agroextrativistas.

 

 

Plano regional

 

O governo também incluiu o entorno da BR-319 como área especial da Política Nacional de Desenvolvimento Regional, abrangendo 18 municípios do Amazonas e dois de Rondônia: Porto Velho e Candeias do Jamari.

 

A medida prevê a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável para a área.

 

A estratégia ainda prevê um grupo de trabalho interministerial envolvendo Casa Civil, Integração e Desenvolvimento Regional, Meio Ambiente e Mudança do Clima e Transportes.

 

O objetivo é ampliar a presença do Estado em uma região onde a expansão econômica, a abertura de novos acessos e a pressão sobre terras públicas e áreas protegidas aumentam os desafios de fiscalização e governança territorial. 

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