PERMISSIVIDADE: Câmara salva mandato de vereador condenado por assédio em Ji-Paraná

William Cândido (Republicanos) foi mantido no cargo apesar de já ter sido sentenciado pela Justiça por abusos cometidos dentro de abrigo municipal, além de denúncia por ato obsceno na rua

PERMISSIVIDADE: Câmara salva mandato de vereador condenado por assédio em Ji-Paraná

Foto: Reprodução de Câmara de Ji-Paraná

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A Câmara Municipal de Ji-Paraná rejeitou nesta quinta-feira (16), o pedido de cassação e decidiu manter o mandato do vereador William Cândido de Souza (Republicanos). Em sessão especial, o plenário do legislativo municipal formou maioria apertada de 8 votos contra 7 para arquivar a denúncia por quebra de decoro parlamentar. O placar oficial registra uma divisão na Casa de Leis.
 
A blindagem política ocorre mesmo com o extenso e grave histórico criminal do parlamentar. William Cândido já foi condenado pela Justiça Estadual (pelo magistrado Edvaldo Fantini Júnior) pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual, tipificados nos artigos 215-A e 216-A do Código Penal. A sentença estipula 1 ano e 2 meses de reclusão, além de 1 ano e 4 meses de detenção e pagamento de multa.
De acordo com os autos do processo criminal que embasaram a condenação, os abusos ocorreram na época em que William atuava como vigia em uma instituição de acolhimento (abrigo municipal).
 
O político usou sua função para tentar obter vantagem sexual de um rapaz acolhido, oferecendo dinheiro, e também praticou atos libidinosos sem consentimento (passando as mãos) contra uma outra vítima mulher no mesmo ambiente.
 
Além das condenações na esfera judicial, o pedido de impeachment na Câmara ganhou força após um escândalo público em outubro de 2025. Na ocasião, William Cândido foi denunciado por uma vizinha que relatou tê-lo visto se masturbando em via pública, em frente à sua residência, além de enviar mensagens de cunho impróprio pelo celular. A Polícia Militar registrou que o vereador foi encontrado em claro estado de embriaguez, cambaleando e com falas desconexas.
 
Após esse episódio, a própria Câmara chegou a emitir uma nota de repúdio classificando o comportamento como "inaceitável", o que forçou o vereador a pedir um afastamento temporário de 90 dias alegando precisar focar em sua defesa. A defesa do parlamentar sustenta que ele é vítima de acusações infundadas. Cabe recurso da decisão judicial em segunda instância.
 
O relatório e os discursos no Plenário
 
O processo de cassação foi protocolado pelo criador de conteúdo digital Carlos Henrique. Durante a tramitação, o vereador Josiel Carlos de Brito, designado como relator da comissão processante, elaborou um parecer pedindo o arquivamento da denúncia, alegando que a defesa do parlamentar havia conseguido efeito suspensivo do processo criminal na Justiça, impedindo a Câmara de antecipar a condenação.
 
O relatório causou indignação entre os outros membros da comissão e dividiu o plenário em discursos acalorados. O vereador André da Royal (PSD) questionou a moralidade de manter o colega na Casa: "Como que um vereador acusado de importunação sexual a crianças e adolescentes poderá representar a sociedade? [...] Eu não estou julgando, eu estou apenas pedindo para continuar o processo de cassação".
 
Na mesma linha, o presidente da comissão processante, Anderson de Matos (PP), reclamou do tempo exíguo e cobrou coragem dos parlamentares: "Ninguém tá votando aqui se é inocente, ninguém tá votando se o juiz suspendeu a pena. O que a gente precisava é transparência". Ele ressaltou ainda que "o decoro exige do representante eleito uma conduta individual exemplar".
 
A vereadora Dra. Rosana Pereira (União) exigiu postura ética dos colegas, repudiando apadrinhamentos políticos: "Aqui não é um caso de corrupção, mas é um caso de crime também contra a honra. [...] Não existe aqui amizade, existe a justiça". Já o vereador Márcio Freitas (PL) destacou que o arquivamento privou a sociedade de um julgamento necessário: "Arquivar esse processo agora seria negar até à população lá fora de Paraná uma resposta institucional".
 
Por outro lado, vereadores que defenderam a manutenção do mandato, como Licomédio Pereira (PP) e Wallisson Amaro (Republicanos), criticaram severamente as pressões externas e manifestações ocorridas na cidade. Licomédio, visivelmente emocionado, repudiou o suposto uso de pessoas com deficiência em protestos para expor a Câmara, justificando seu voto no relator: "Eu não posso permitir, eu que sou deficiente, colocar uma pessoa com deficiência mental servindo de poste para punir esses canalhas [...] por isso eu sigo o relator".
 
Veja como votaram os vereadores de Ji-Paraná:
 
(A regra determinava que votar "SIM" significava aprovar o relatório pelo arquivamento, salvando o vereador; e "NÃO" significava rejeitar o relatório, dando prosseguimento ao processo de cassação).
 
Votaram SIM (Pelo arquivamento da denúncia - 8 votos):
 
Ademilson Procópio (PRD)
Anderson Bença (PRTB)
Geraldo da 102 (PL)
Josiel Carlos de Brito (MDB - Relator)
Licomédio Pereira (PP)
Lorenil Gomes (União)
Wallisson Amaro (Republicanos)
Wesley Brito (PL)
 
Votaram NÃO (Pela continuidade da cassação - 7 votos):
 
Anderson de Matos (PP)
André da Royal (PSD)
Dr. Edinho Fidelis (PSD)
Dra. Rosana Pereira (União)
Márcio Freitas (PL)
Marcelo Lemos (Republicanos - Presidente)
Maycon Roberto (MDB)
 
Durante o seu discurso, o vereador Maycon Roberto fez uma defesa do colega priorizando a "presunção de inocência", mas ao formalizar sua decisão na tribuna proferiu a frase literal "meu voto é não", sendo contabilizado na oposição ao relatório.
 
Ausente: Escopone (PSD) Impedido de votar: William Cândido (Republicanos)
Direito ao esquecimento
Adilson Almeida - 16/07/2026 22:33
Não falha nenhum da turma "Deus, Pátria, Família", mais como é de direita tá tudo bem. Vergonha desse povo imbecilizado.

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