Com quase 18 mil habitantes e um dos maiores territórios de Rondônia, São Francisco do Guaporé consolida-se como um dos principais polos econômicos da região do Vale do Guaporé. Os indicadores mais recentes do IBGE revelam um município impulsionado pelo agronegócio, com economia sólida, educação acima da média estadual em diversos aspectos e capacidade de investimento. Em contrapartida, ainda enfrenta desafios importantes nas áreas de saneamento básico e saúde preventiva.
A estimativa do IBGE aponta que a população passou de 16.286 habitantes, registrados no Censo de 2022, para 17.557 moradores em 2025, crescimento que acompanha a expansão das atividades agropecuárias na região.
O município também se destaca pela dimensão territorial. Com quase 11 mil quilômetros quadrados, possui a quarta maior área entre os 52 municípios rondonienses, mas uma das menores densidades demográficas do Estado: apenas 1,49 habitante por quilômetro quadrado. Essa característica impõe desafios logísticos para a oferta de serviços públicos, mas também evidencia a grande disponibilidade de áreas destinadas à produção rural.
Economia sustentada pelo campo
A força econômica de São Francisco do Guaporé aparece nos números.
O PIB per capita alcançou R$ 43.989 em 2023, desempenho que coloca o município na metade superior do ranking estadual. As finanças públicas também demonstram capacidade de investimento: em 2024, a prefeitura arrecadou R$ 141,8 milhões e executou R$ 124 milhões em despesas.
Outro dado relevante é a menor dependência de transferências governamentais quando comparada a diversos municípios do interior. As receitas externas representam 79,3% da arrecadação corrente, percentual inferior ao observado em muitas cidades rondonienses, refletindo maior geração de riqueza própria.
O mercado formal também acompanha esse desempenho. São Francisco contabiliza 2.429 trabalhadores com carteira assinada e salário médio de dois salários mínimos, um dos melhores indicadores da região.
Educação apresenta resultados consistentes
Na educação, o município demonstra desempenho acima da média estadual.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos iniciais do ensino fundamental atingiu 5,9, o sétimo melhor resultado de Rondônia. Nos anos finais, a nota foi de 4,9, mantendo o município entre os melhores desempenhos estaduais.
A taxa de escolarização entre crianças de seis a 14 anos chega a 98,9%, praticamente universalizando o acesso à educação básica.
Os números indicam que, mesmo em um território extenso e predominantemente rural, São Francisco conseguiu estruturar uma rede de ensino capaz de oferecer resultados consistentes.
Saúde exige atenção
Os indicadores da saúde revelam um cenário mais complexo.
A mortalidade infantil, de 7,6 óbitos por mil nascidos vivos, está abaixo da média nacional, mas um dado preocupa: as internações por diarreia chegam a 474 casos por 100 mil habitantes, um dos índices mais elevados de Rondônia e também entre os maiores do país.
Especialistas costumam associar esse tipo de indicador às condições de saneamento básico, abastecimento de água e acesso aos serviços preventivos de saúde.
O maior desafio continua sendo o saneamento
É justamente no saneamento que aparecem os maiores gargalos do município.
Segundo o IBGE, apenas 0,22% dos domicílios contam com esgotamento sanitário adequado. O índice coloca São Francisco entre os municípios com pior cobertura de saneamento em Rondônia.
Outro desafio está na infraestrutura urbana. Nenhuma via pública apresenta urbanização considerada completa — com pavimentação, calçadas, meio-fio e drenagem — segundo os critérios do instituto.
A arborização urbana também permanece abaixo da média estadual, presente em 66,1% das vias.
Potencial para crescer
Apesar desses desafios, São Francisco do Guaporé reúne características que apontam para um cenário promissor.
A combinação entre um território vasto, forte produção agropecuária, boas receitas municipais e educação de qualidade oferece condições favoráveis para ampliar investimentos em infraestrutura urbana e saneamento.
O desafio para os próximos anos será justamente transformar a riqueza produzida no campo em melhorias estruturais capazes de elevar ainda mais a qualidade de vida da população, reduzindo desigualdades e preparando o município para um crescimento sustentável.