Os drones ganharam mais espaço para decolar no campo brasileiro. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o novo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) 100, um conjunto de regras que atualiza a operação de aeronaves não tripuladas e promete reduzir a burocracia nas áreas rurais.
A Diretoria Colegiada da agência aprovou a proposta por unanimidade. Agora, o texto passará por ajustes finais de redação e, em seguida, seguirá para publicação no Diário Oficial da União. Depois disso, o novo regulamento entrará em vigor e substituirá o RBAC-E 94, que rege o setor desde 2017.
A principal mudança está na forma de avaliar as operações. Até aqui, a Anac definia as exigências principalmente pelo peso do drone. Com o RBAC 100, porém, a agência passará a considerar também o ambiente de operação, a presença de pessoas, a energia envolvida no voo e as medidas de segurança adotadas pelo operador.
Na prática, a mudança beneficia diretamente o campo. Afinal, fazendas e lavouras costumam reunir grandes áreas abertas e menor circulação de pessoas. Assim, drones maiores poderão operar sob exigências mais proporcionais ao risco real de cada atividade.
Novo regulamento cria categorias para operações com drones
O RBAC 100 estabelece três categorias operacionais: Aberta, Específica e Certificada. Entre elas, a Categoria Específica surge como a principal novidade e deverá abranger boa parte das operações aeroagrícolas.
Nesse modelo, a Anac adotará a metodologia internacional SORA (Specific Operations Risk Assessment), utilizada em cerca de 70 países para avaliar riscos operacionais.
Durante a apresentação da proposta, o gerente técnico de Normas e Inovação da Superintendência de Aeronavegabilidade da Anac, Marcos Santim, destacou que as novas regras favorecem principalmente as operações agrícolas, além de missões de segurança pública e voos além da linha de visada em áreas rurais de baixo risco.
Drones ganham espaço e se tornam ferramentas estratégicas no campo
O zumbido das hélices já faz parte da paisagem de muitas propriedades rurais. Os drones deixaram de ser novidade e passaram a integrar a rotina do produtor.
Hoje, os equipamentos pulverizam defensivos, monitoram lavouras, mapeiam áreas e identificam falhas no plantio. Além disso, ajudam a reduzir desperdícios e permitem decisões mais rápidas e precisas.
Por isso, a atualização das regras chega em um momento decisivo. O novo regulamento acompanha a evolução tecnológica do setor e, ao mesmo tempo, reconhece uma realidade que já se impôs no campo: os drones se transformaram em uma das principais ferramentas da agricultura de precisão no Brasil.