Durante a última sessão solene realizada na segunda-feira (22) na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (Alero), um assento vago à mesa de autoridades chamou a atenção. O deputado estadual Ismael Crispim (PP), proponente do evento, destacou a presença da cadeira vazia à sua esquerda como um ato pedagógico e em estrito cumprimento à Lei nº 6.354/2026.
A legislação determina que todo ato oficial realizado pelos poderes Executivo e Legislativo no estado deve manter obrigatoriamente uma cadeira vazia em memória às mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência.
Em seu discurso na abertura dos trabalhos, o deputado lamentou que Rondônia ainda se destaque de modo negativo nos índices de crimes contra a mulher e ressaltou a importância da conscientização contínua dos homens nos espaços de poder. Crispim enfatizou que o combate a esses crimes vai além das ações punitivas.
"É responsabilidade do Estado não só o serviço da segurança pública no momento de tentar corrigir, mas também de, de forma pedagógica, todos os dias dizer à sociedade que a mulher merece ser respeitada", afirmou o parlamentar, que encerrou a homenagem pedindo uma salva de palmas dedicada às mulheres.
Histórico
Rondônia figura entre os estados brasileiros com os piores índices de violência letal contra a mulher. Em 2022, o estado chegou a liderar o ranking nacional de feminicídios, registrando uma taxa de 3,1 mortes para cada 100 mil mulheres.
No levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referente ao ano de 2025, Rondônia ocupou o segundo lugar no país, com uma taxa de 2,9 feminicídios por 100 mil mulheres, ficando atrás apenas do Acre.
Quando observada a série histórica entre 2021 e 2025, os registros desse tipo de crime no estado sofreram um crescimento vertiginoso de 53,8%, um aumento muito superior à média nacional no mesmo período.
A violência de gênero manifesta-se também em outras estatísticas. Em 2023, a taxa de estupros e estupros de vulneráveis em Rondônia foi de 151,4 para cada 100 mil mulheres, mais que o dobro da média nacional (128,5), colocando o estado em grande evidência negativa.
A taxa geral de homicídios femininos no estado atingiu 5,9, também muito superior à média do Brasil, que foi de 3,5. Essas violências possuem ainda um recorte racial e social: as mulheres pretas e pardas são as principais vítimas da violência letal em Rondônia, com uma taxa de homicídios de 6,3 por 100 mil.
A maior parte dessas agressões ocorre dentro de casa e tem como principais autores os companheiros ou ex-companheiros das vítimas.