JUNHO AMBIENTAL: MPF aciona Justiça e garante saúde e saneamento na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau

Ação tem foco nas mulheres indígenas e nos impactos causados pelas mudanças climáticas

JUNHO AMBIENTAL: MPF aciona Justiça e garante saúde e saneamento na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau

Foto: MPF

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública, com pedido de liminar, para obrigar a União a construir Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI), sistemas de abastecimento de água e banheiros comunitários em aldeias da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Guajará-Mirim (RO). O órgão afirma que a omissão do governo federal viola direitos fundamentais à vida e à dignidade, deixando indígenas das aldeias Pedreira, Cristo Rei/Marina, Laranjal e São Luiz em situação de extrema vulnerabilidade. O MPF destaca que faltam espaços adequados para consultas e exames ginecológicos, prejudicando os atendimentos à saúde das mulheres indígenas.
 
Foto: MPFInspeções realizadas pelo MPF nas aldeias revelaram um cenário de abandono institucional e falha estrutural contínua. Na aldeia Pedreira, o local de atendimento médico é um único cômodo improvisado, construído pela própria comunidade, que serve simultaneamente como clínica, farmácia, cozinha e dormitório para os profissionais de saúde. Na aldeia Laranjal, não existe estrutura de saúde e os moradores consomem água do rio sem tratamento, o que causa frequentes problemas gastrointestinais.
 
Já na aldeia Cristo Rei/Marina, a escola é ocupada para atendimentos médicos e odontológicos, prejudicando as aulas. Na aldeia São Luiz, o prédio do Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) está em ruínas e o serviço odontológico limita-se à extração de dentes por falta de equipamentos para próteses, causando prejuízo à estética e à alimentação dos indígenas.
 
O MPF destaca que a ausência de postos de saúde estruturados atinge as mulheres de forma desproporcional sob uma perspectiva de gênero. Devido à falta de consultórios, os exames ginecológicos preventivos são realizados dentro das casas das pacientes, muitas vezes em ambientes sem higiene adequada, na presença de animais domésticos e sem qualquer privacidade.
 
Segundo a ação, essa situação gera constrangimento e inibição, levando muitas mulheres a desistirem do cuidado preventivo. A falta de estrutura também dificulta que relatos de eventuais violações a direitos – especialmente violência física e psíquica, liberdade sexual e de direitos reprodutivos – cheguem ao conhecimento das autoridades. As mulheres indígenas também reclamaram ao MPF sobre as interrupções no fornecimento de contraceptivos e a demora excessiva para a realização de mamografias, que dependem da passagem esporádica de um barco da saúde.
 
Foto: MPFMudanças climáticas – O procurador da República Leonardo Caberlon e a procuradora da República Caroline Helpa, autores da ação, destacam que a urgência das obras de saneamento e abastecimento é acentuada pelas mudanças climáticas. As aldeias são distantes e acessíveis apenas por via aérea ou fluvial, demorando até 10 horas de barco para se chegar a uma delas a partir da área urbana de Guajará-Mirim. Durante a seca extrema de 2024, o Rio Pacaás ficou inavegável, forçando os indígenas a arrastar embarcações por trechos secos e bancos de areia por até sete dias. Esse isolamento severo deixou as aldeias sem remédios e alimentos, sem água potável, dependendo de operações aéreas emergenciais para sobrevivência.
 
O MPF sustenta que a omissão estatal ultrapassa falhas administrativas pontuais, configurando uma violação massiva e prolongada de direitos fundamentais que compromete a dignidade e a própria organização social das comunidades Pedreira, Cristo Rei/Marina, Laranjal e São Luiz. O órgão pediu à Justiça Federal que a ação seja julgada sob a perspectiva de gênero, uma vez que afeta consideravelmente as mulheres indígenas, e também com a visão da necessária adaptação às mudanças climáticas identificadas na região, que foi severamente atingida pela estiagem em 2024.
 
Os pedidos do MPF são para que a Justiça Federal obrigue a União a:
 
• construir, equipar e manter, de forma adequada e contínua, um posto de saúde indígena na aldeia Pedreira e um outro na aldeia Laranjal ou na aldeia São Luiz (local ainda a ser definido pela comunidade indígena, mediante consulta livre, prévia e informada);
• provisoriamente, fazer melhorias dos espaços existentes para o atendimento de saúde nas aldeias Pedreira, Cristo Rei/Marina, Laranjal e São Luiz;
• construir banheiros (sanitários, chuveiros e lavabo) de uso comunitário e implementar sistema de abastecimento de água nas quatro aldeias;
• pagar R$ 500 mil por danos morais coletivos, a serem revertidos em projetos nas aldeias;
• pagar indenização por danos climáticos, com medidas que garantam a não repetição da tragédia humanitária ocorrida durante a seca extrema de 2024, assegurando o fortalecimento da capacidade de adaptação e de resiliência das comunidades indígenas e sistemas naturais.
 
Ação civil pública nº 1014162-26.2026.4.01.4100
Consulta processual
 
Junho Ambiental – No mês do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (4CCR) promove a Ação Coordenada Junho Ambiental. O objetivo é dar visibilidade a projetos, iniciativas e atuações promovidas pelo MPF em defesa dos biomas brasileiros e dos direitos socioambientais das populações, especialmente as mais vulneráveis. Acompanhe todas as notícias no site do MPF.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site