Uma rede invisível de internet clandestina pode estar conectando milhões de brasileiros fora das estatísticas oficiais. Estimativas do setor apontam que cerca de 6,6 milhões de pontos de acesso à internet fixa no país teriam algum tipo de ligação com provedores clandestinos associados ao crime organizado.
O levantamento foi divulgado pela plataforma TeiaH 360, criada para mapear o mercado de telecomunicações a partir de dados físicos e digitais, como instalações, antenas, postes e sinais de conexão. Segundo a análise, o número faz parte de um universo estimado de 12,9 milhões de conexões invisíveis, fornecidas por operadores que não aparecem nos registros formais.
A atuação criminosa ocorre de diferentes maneiras. Em algumas regiões, grupos impõem cobranças ilegais a provedores autorizados, exigem pagamento de taxas para permitir o funcionamento das empresas ou assumem o controle da infraestrutura para comercializar o serviço.
Aqui também é assim
Casos de interferência de facções no mercado de internet já foram registrados em estados como Bahia, Rio de Janeiro, Ceará e Pará. Em Rondônia, empresas do setor também relatam episódios de pressão e ataques contra provedores, incluindo ocorrências investigadas em Porto Velho, onde a disputa pelo controle de áreas de atendimento envolve prejuízos à concorrência e riscos para consumidores.
Além do impacto econômico, o domínio ilegal da internet cria problemas para os usuários. Redes clandestinas geralmente não oferecem garantias de segurança, suporte técnico adequado ou proteção contra falhas e vulnerabilidades digitais, aumentando a exposição a golpes e ataques virtuais.
A expansão dessas conexões fora da regulamentação também prejudica políticas públicas de inclusão digital, já que dificulta o planejamento real sobre onde existem usuários sem atendimento adequado.
O avanço da internet clandestina revela uma nova frente de atuação do crime organizado: o controle de um serviço essencial para a vida moderna, transformando conectividade em uma disputa de poder e mercado.