Uma descoberta arqueológica está mudando a visão sobre a ocupação humana na Amazônia. Um estudo internacional publicado na revista científica Antiquity revelou uma extensa rede de caminhos pré-colombianos no Acre, com cerca de 350 quilômetros de estradas construídas antes da chegada dos europeus.
A pesquisa identificou quase mil trajetos associados à chamada Civilização Aquiry, uma sociedade amazônica que teria desenvolvido sistemas de conexão entre comunidades até aproximadamente o ano 1.000 d.C.
Os pesquisadores apontam que as antigas rotas revelam um alto nível de planejamento. Parte dos caminhos fazia ligação entre aldeias e os principais rios da região, enquanto outros tinham função relacionada ao acesso a grandes estruturas conhecidas como geóglifos — monumentos de terra construídos para possíveis atividades rituais.
O trabalho reúne pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Acre e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de especialistas da Finlândia.
Segundo o paleontólogo Alceu Ranzi, coautor do estudo, o avanço das tecnologias de sensoriamento foi fundamental para revelar estruturas escondidas pela floresta.
A próxima etapa da pesquisa será utilizar equipamentos com tecnologia Lidar, capazes de mapear o relevo por meio de laser, para localizar novos trechos ainda encobertos pela vegetação.
A descoberta reforça que a Amazônia pré-colonial era formada por sociedades organizadas, com conhecimento de engenharia, planejamento territorial e complexas formas de ocupação do espaço.