* Por volta de 1980 o termo federal tinha o sinônimo de quente, forte, sólido. Costumava ser utilizado por professores, alguns civis e militares para demonstrar a força do objeto de discussão.
*Acabou a ditadura militar e o termo federal foi ficando meio em desuso. Somente os funcionários públicos estaduais e municipais utilizam-no de vez em quando.
*A falta de referência talvez tenha se associado lentamente aos ventos neoliberais, que bombardearam o Estado mostrando sua ineficiência, sua falta de operabilidade.
*A falta de operabilidade se mostrou notória em vários setores nacionais, inclusive no setor de transportes. O Estado se encolheu perante as necessidades de ampliação das vias de escoamento de produtos e pessoas. As hidrovias foram planejadas e não executadas, a rede ferroviária federal foi privatizada e destinada principalmente ao transporte de produtos, as estradas foram sendo esquecidas aos poucos pelos governos, que através delas arrecadam muito e pouco fazem para retribuir aos usuários das vias estaduais e federais. Nem precisa ser comentado o descaso com o tráfego aéreo, que merece comentários à parte.
*As rodovias federais do sul e sudeste tiveram parte de seus trechos estaduais e federais pedagiados, oferecendo aos usuários algum tipo de comodidade não comum aos que transitam em rodovias onde o governo federal é responsável pela manutenção.
*As rodovias do centro, norte e nordeste do país não foram consideradas atraentes pelas empresas que pretendem explorar pedágios no Brasil.
*É simples. A renda per capita das regiões supracitadas não são tão fortes quanto das regiões sul e sudeste, o que certamente causaria muitos problemas para quem estivesse disposto a trabalhar na área de manutenção de estradas.
*A BR-364 é uma das estradas federais que não se apresenta como filão para explorar pedágio. Talvez por isto os motoristas que transitam por Rondônia tenham que se conformar com os buracos permanentes nos trechos posteriores a Cacoal no sentido de Porto Velho, buracos de dimensões enormes, capazes de produzir grandes tragédias.
*A ponte sobre o Rio Preto do Crespo, próxima de uma colônia de pescadores no caminho de Ariquemes é um exemplo de desleixo federal. Não há quase murada, derrubada por acidentes há longa data. Na curva que antecede à ponte a pista está destruída. Ponto excelente para acidente de grande monta.
*A falta de cuidados se estende até Candeias do Jamari. Motoristas desavisados correm riscos sérios se optarem por viajar à noite.
*No próximo final de semana a cidade de Alto Paraíso vai promover a Sexta Corrida Nacional de Jericos, atraindo cerca de trinta mil pessoas para o município. Todos vão pela BR-364, correndo riscos tanto na ida quanto na volta. A Polícia Rodoviária Federal vai ter trabalho maior, já que a sinalização da rodovia não alerta os motoristas sobre os piores trechos. A falta de cuidados do governo federal poderá gerar vítimas. O estado da rodovia é grave tanto no sentido Ariquemes - Alto Paraíso como no sentido Porto Velho – Alto Paraíso. *Pelo fluxo de veículos que estará em movimento entre os dias 4 e 11 de fevereiro justifica-se um aumento de policiais e viaturas na BR-364. Quem tiver guincho e borracharia portátil deve aproveitar o momento também.
*Na inépcia do Estado vai residir a segurança dos turistas que visitarão Alto Paraíso nos próximos dias. Que sejam somente pneus furados os dados estatísticos dos próximos dias.
*
O autor é professor universitário
*
VEJA TAMBÉM:
*
ARTIGO - Candidatura de Carlão de Oliveira foi uma fraude? - - Por: Domingos Borges
*
ARTIGO - Erros Jacobinistas - Por: João Paulo Viana¹