Diante desse cenário, o IPAM, em parceria com as universidades de Oxford e Lancaster e a Rede Amazônia Sustentável, lançou o livreto “Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas”, primeira publicação da coleção dedicada às técnicas de combate ao fogo em diferentes tipos de florestas amazônicas.
O material reúne conhecimentos de cerca de 60 autores, entre brigadistas, pesquisadores e representantes do PrevFogo, Ibama, ICMBio e Ministério do Meio Ambiente. A coleção terá quatro volumes, com os demais previstos até o fim de 2026.
O primeiro livreto aborda as florestas ombrófilas densas, caracterizadas pela alta umidade, copas fechadas e grande biodiversidade. Antes consideradas pouco suscetíveis ao fogo, essas áreas passaram a apresentar maior risco diante dos eventos climáticos extremos.
Entre as técnicas destacadas estão a construção de linhas de defesa, com retirada de folhas, galhos, troncos e outros materiais combustíveis do solo para impedir o avanço das chamas. O material também orienta sobre identificação de pontos de reignição e destaca a participação das comunidades, cujo conhecimento do território auxilia na localização de trilhas, rios e áreas prioritárias.
Área queimada caiu, mas alerta permanece
O lançamento ocorreu junto à divulgação do Relatório Anual do Fogo no Brasil, que apontou redução de 58% na área queimada em 2025. Foram 12,7 milhões de hectares atingidos, o menor número desde 2018.
Na Amazônia, foram queimados 3,1 milhões de hectares, uma redução de 80% em relação a 2024 e a menor área registrada em 41 anos de série histórica.
Apesar da redução, especialistas alertam que novas estiagens podem encontrar maior quantidade de biomassa acumulada, aumentando o combustível disponível para incêndios. A reincidência do fogo também pode degradar a floresta e torná-la mais inflamável, reforçando a necessidade de prevenção, monitoramento e técnicas específicas de combate.