HISTÓRIA DE UM CASAMENTO: Filme emocionalmente cativante como a vida real - Por Marcos Souza

Filme foi muito bem recebido pelo público e pela crítica

HISTÓRIA DE UM CASAMENTO: Filme emocionalmente cativante como a vida real - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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Filmes sobre separação de casal rendem ótimos dramas. Lembro de "Cenas de um Casamento" (Ingmar Bergman/1974) e de "Kramer vs. Kramer" (Robert Benton/1979), sendo que este último se aproxima mais desta produção do diretor e roteirista Noah Baumbach, “História de um Casamento”, feito exclusivamente para a Netflix e lançado em 2019 (disponível no catálogo do streaming), pois envolve a disputa pela guarda de um filho do casal, Charles (o ótimo ator Adam Driver, muito além de "Star Wars") e Nicole (Scarlett Johansson, muito além da Viúva Negra de "Os Vingadores"), que resolve se separar por incompatibilidade de agendas e dos lugares onde moram: ele, novaiorquino, e ela, de Los Angeles.
 
O filme foi muito bem recebido pelo público e pela crítica na época por mostrar, de forma humana e realista, o processo de separação, em que os protagonistas, mesmo diante da ruptura, têm um senso de responsabilidade e de proteção um pelo outro, principalmente por parte de Nicole, que, mesmo tomando a iniciativa do divórcio, ainda quer cuidar do ex-marido em alguns detalhes.
 
Mais do que esse senso de responsabilidade, o processo amigável inicial da separação, no qual o casal quer evitar o desgaste psicológico do filho, Henry, que vai ter de se dividir em uma guarda compartilhada, acaba progressivamente caminhando para algo mais litigioso, com verdades indesejáveis que vêm à tona.
 
Nicole é uma atriz que vai estrear uma série televisiva de uma grande rede, e Charles é um jovem e consagrado diretor teatral que vai ter uma peça na Broadway. O problema é que ela volta para sua casa em Los Angeles, onde a série vai ser filmada, enquanto Charles está prestes a estrear sua peça em Nova Iorque e fica dividido entre o trabalho e o filho.
 
 
Esse conflito geográfico e a distância são o que provocam os maiores atritos do casal. Mas tudo fica mais difícil quando Nicole contrata uma advogada especialista em divórcio e Charles ainda crê que pode reverter a situação sem recorrer aos aspectos jurídicos.
 
Mas a relação fica tensa quando ela descobre que ele teve uma "transa" com uma colega de teatro ao vasculhar os e-mails dele e, em uma discussão na qual os dois desnudam os piores momentos da relação e o que odeiam um no outro, acabam gerando um duelo no tribunal, quando Charles percebe que pode perder a guarda compartilhada do filho.
 
O diretor e roteirista Noah Baumbach então coloca o casal em um duelo no qual se percebe que eles se tornaram vítimas e personagens de uma disputa familiar que somente se resolve quando confrontam seus medos e ressentimentos.
 
 
O filme inicia de forma lenta ao mostrar como Nicole e Charles mantêm o carinho e o respeito mesmo diante da dor que vai se criando ao saberem que o fim é uma consequência inevitável. E o contraste é proposital, pois é no início que vemos as qualidades dos dois relatadas na voz de cada um deles, exaltadas e que se contrapõem, depois, ao antagonismo que se criou com o tempo.
 
E é aí que vale o duelo e a carga dramática dos conflitos entre os dois. Em alguns momentos-chave, percebe-se que o amor tem fim, mas que, no devido tempo, as feridas podem ser curadas. Scarlett Johansson está incrível e tem um momento em que relata seu relacionamento com Charles, no qual vemos apenas seu rosto e suas expressões sensíveis.
 
Assim como os dois têm uma discussão de relacionamento no apartamento de Charles, que é uma verdadeira lavagem de roupa suja, a entrega da dor parece aliviar a carga da retaliação mútua — ponto para o ator Adam Driver, que rouba a cena com uma síncope emocional de cair o queixo.
 
 
Eu, como espectador, emocionei-me, rindo e com lágrimas, por sentir o expurgo dos momentos em que eles perceberam os erros um do outro. A misericórdia é dada aos dois, e ali sabem que o sacrifício deve existir, pelo menos por parte de um deles.
 
Não tem fantasia. É real, e o filme tem uma mensagem positiva notável no momento em que a ficha de Charles cai ao ver que o fim do seu melhor relacionamento pode ser o início de uma vida familiar que ele nunca imaginou viver. Por isso, a carta que ele lê junto com o filho é o achado da verdade que ele busca, e Nicole percebe a mesma coisa. Pois é nas atitudes simples que permanece o amor, ainda que no ato de amarrar os cadarços de um sapato.
 
"História de um Casamento" é sensível e notável por não escolher soluções fáceis, mas deixar que a história seja conduzida pela verdade da vida, pelo menos como ela deveria ser. Nem toda ruptura tende a ser triste.
 
É um filme de atores e emoção. Para o final de semana, é uma ótima diversão. Vale a pena assistir. Muito.
Direito ao esquecimento

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