DIÁRIO DE UMA PAIXÃO: Livro e filme de uma linda história de amor – Por Marcos Souza

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO: Livro e filme de uma linda história de amor – Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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O livro “O Caderno de Noah”, do escritor Nicholas Sparks, caiu nas minhas mãos em 1999, dois anos depois de sua publicação, num condensado de capa dura da Readers Digest e tinha cerca de 178 páginas. Uma leitura rápida.

 

Verdade, quando comecei a ler não parei mais, li numa sentada, quase sem fôlego, graças à narrativa detalhista, à história magnética, numa trama amorosa em que os personagens vivem em duas linhas temporais distintas. No momento atual, numa casa de repouso para idosos; e, no passado, quando jovens, vivem uma história de amor conflituosa e marcada por desencontros e diferenças de classe social.

 

O título original em inglês é “The Notebook”, ou um bloco de notas, para mim o objeto mais valioso de toda a narrativa e que vai conduzir o leitor por situações de um idílico encontro casual que se transforma numa paixão arrebatadora entre adolescentes. Depois, envereda por saltos temporais distintos que mostram o mesmo casal separado por obra do destino e por uma mãe superprotetora, que muda toda a trajetória da filha em vista de um preconceito.

 

No livro, Sparks mergulha fundo nos dilemas do que é um amor interrompido e no âmago significativo entre o desejo e a paixão, sem deixar de lado o drama folhetinesco que nos conduz por um labirinto óbvio, mas que tem um fôlego notável ao transpor para os dias da velhice desse mesmo casal, onde ela sofre com Alzheimer e ele, Noah, que dá título à obra, todos os dias recorre ao seu diário, o caderno, onde tem o relato da história de amor deles. É nesse espaço temporal de memória que ela vai se lembrar dele, dos momentos felizes, e logo tudo se esvai em cinzas, como palavras sem sentido ou uma memória que parece não lhe pertencer.

 

 

Esse mecanismo de manipulação de emoções provocado por Sparks pega pelo pescoço, apela ao bom senso do que é o amor em seu estado mais pueril e nefasto, onde uma doença tem a função de colocar à prova o quão sublime é a dedicação de um parceiro para que a sua mais linda história de vida não morra como uma lembrança nunca vivida.

 

Esse notável romance foi o primeiro de Sparks, que chegou a escrever dois livros antes que não foram publicados, a saber, “The Passing” e “The Royal Murders”, que serviram posteriormente como fonte de inspiração para outras obras. Logo depois de publicado e lançado, em 1996, “O Caderno de Noah” ficou na lista dos mais vendidos do New York Times na primeira semana e permaneceu nela por um bom tempo. A história, segundo o autor, foi inspirada na história dos pais de sua esposa, casados há mais de sessenta anos quando os conheceu, e que possuíam uma história singular, não só de amor, mas de vida e dedicação. Justamente esse amor tão emblemático e duradouro deu provas do seu talento em expressar sua admiração pelo casal.

 

Claro que um livro desses não passaria batido pelos produtores de Hollywood, que viram numa grande história de amor o chamariz perfeito para um drama romântico de sucesso.

 

Já com o título nacional perfeito, “Diário de uma Paixão”, foi praticamente um projeto cinematográfico pessoal do diretor Nick Cassavetes, filho do grande ator e também diretor John Cassavetes (ele fez o marido de Mia Farrow no clássico de terror “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski), que presenteou sua mãe, a ótima e veterana atriz Gena Rowlands, com o papel da personagem Allie mais velha, que vive num asilo e tem mal de Alzheimer.

 

Assim como no livro, no filme a história é narrada nos dias atuais por um homem idoso, Noah (James Garner), que todos os dias se apresenta a Allie como um amigo que vai ler as histórias de um diário para lhe fazer companhia, ao mesmo tempo em que usa esse momento para despertar algumas memórias da esposa doente e, assim, acalentar sua dor por não ser reconhecido por ela.

 

No passado, em 1940, a história do diário inicia com o encontro de Noah Calhoun (Ryan Gosling) e Allie Hamilton (Rachel McAdams), que se conheceram e se apaixonaram num parque de diversões em Seabrook Island, na Carolina do Sul. A partir desse momento eles vivem um intenso verão em que os hormônios estão aflorados e fazem juras de um amor inocente. No entanto, esse relacionamento contraria a mãe de Allie pela diferença de classes sociais entre eles, por Noah vir de uma família humilde e da classe trabalhadora, enquanto a filha, de 17 anos, pertence à alta sociedade e a uma família tradicional, e logo retornará para a cidade grande para estudar, ao fim de suas férias. Eles acabam se separando, mas Noah promete lhe escrever todos os dias para que esse amor não acabe.

 

Logo inicia a Segunda Guerra Mundial e ele vai servir, não sem antes escrever 365 cartas de amor para Allie, que são recebidas e ocultadas por sua mãe, fazendo com que ela pense que Noah a esqueceu.

 

Esse detalhe muda totalmente o destino dos dois, pois, sem respostas, Noah sente o impacto e pensa que Allie acabou com tudo. Já Allie fica arrasada pela suposta falta de contato, imaginando que ele a havia esquecido.

 

Num salto temporal de mais de quatro anos, Noah tenta seguir com sua vida, tornando-se um homem solitário, ainda mais depois da morte de seu pai, que lhe deixa como herança um velho casarão, o qual ele reforma inteiramente durante um tempo. Três anos depois disso, Allie, noiva de Lon (James Marsden), um jovem rico que acredita ser o homem da sua vida, retorna à cidade costeira e, numa das circunstâncias da vida, acaba reencontrando Noah — mais maduro e envelhecido — e algo ainda mexe com ela.

 

Assistam. A partir daí algumas reviravoltas vão surgindo, o que inclui um segredo familiar do passado da mãe de Allie — vivida muito bem pela atriz Joan Allen —, e não apenas as cartas omitidas. Há um embate emocionante entre as razões do idoso Noah ao enfrentar a própria doença e não querer perder seu único laço com a mulher da sua vida.

 

Mesmo que você entenda que eles estarão juntos no fim da vida, a história para que isso se concretize no passado nos move num carrossel de emoções muito bem desenvolvidas por essa adaptação notável.

 

Tecnicamente, um filme muito bem feito. Logo na abertura vamos ver um fim de tarde num lago com o céu vermelho, onde cruza no horizonte uma canoa em uma panorâmica paisagística espetacular. Trabalho excepcional do diretor de fotografia Robert Fraisse, com uma trilha sonora sublime, do maestro Aaron Zigman, pontuada por uma orquestração suave que vai adicionando emoção sem ser piegas. É um conjunto perfeito.

 

O filme fez um extraordinário sucesso para o gênero romântico, custou 29 milhões de dólares e rendeu mais de 117 milhões de dólares, puxado principalmente pela bilheteria do Canadá, já que foi um dos primeiros filmes do ator canadense Ryan Gosling.

 

Além do sucesso de público, “Diário de uma Paixão” recebeu várias indicações para prêmios populares, vencendo oito Teen Choice Awards, um Satellite Award e um MTV Movie Award. Em novembro de 2012, a ABC Family estreou uma versão estendida com cenas deletadas adicionadas de volta à história original.

 

O filme está disponível no catálogo do serviço de streaming da HBO Max. E vale para todos os namorados e enamorados neste mês dedicado a eles.


 

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