O DOMÍNIO DAS BETS: Vício em apostas cresce no Brasil e preocupa economia, famílias e o esporte

Com campanhas envolvendo clubes, influenciadores e grandes eventos esportivos, as plataformas conquistaram ampla visibilidade

O DOMÍNIO DAS BETS: Vício em apostas cresce no Brasil e preocupa economia, famílias e o esporte

Foto: Magnific

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O avanço das plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, deixou de ser apenas uma forma de entretenimento e passou a representar um desafio econômico e social no Brasil. O crescimento acelerado do setor já provoca impactos no orçamento das famílias, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, e também gera preocupação dentro do próprio ambiente esportivo.
 
Em artigo publicado pelo jornalista Ivan Moraes, no Brasil de Fato, o autor lembra que o hábito de apostar acompanha a humanidade há milhares de anos. Civilizações antigas como Mesopotâmia, Egito, China, Grécia e Roma já registravam práticas envolvendo jogos e apostas.
 
A diferença, segundo a análise, está na dimensão atual. Com a expansão da internet e dos aplicativos, as apostas passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas, impulsionadas por publicidade intensa, facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos.
 
Da fome para o jogo 
 
Os efeitos econômicos começam a aparecer. Um estudo técnico do Banco Central do Brasil revelou que, em apenas um mês, cerca de cinco milhões de beneficiários do Programa Bolsa Família transferiram aproximadamente R$ 3 bilhões para empresas de apostas.
 
O dado acendeu um alerta porque recursos destinados ao consumo básico das famílias podem estar sendo direcionados para jogos, comprometendo despesas como alimentação, contas domésticas e outras necessidades. O problema se agrava quando a aposta deixa de ser uma diversão ocasional e passa a assumir comportamento compulsivo.
 
Os estádios viraram vitrines 
 
No esporte, ambiente diretamente ligado às apostas, atletas, clubes e dirigentes também demonstram preocupação com os impactos desse fenômeno. A relação entre futebol e plataformas de apostas cresceu rapidamente, com marcas do setor ocupando espaços em uniformes, placas de publicidade e transmissões esportivas.
 
Entretanto, parte dos profissionais do esporte passou a questionar essa associação. Alguns jogadores têm recusado contratos e patrocínios de empresas de apostas por entenderem que a exposição dessas marcas pode contribuir para o aumento da dependência entre torcedores e apostadores, especialmente jovens.
 
Dirigentes esportivos também alertam para outro risco: o envolvimento inadequado de atletas ou pessoas ligadas ao futebol com o mercado de apostas pode comprometer a credibilidade das competições e abrir espaço para suspeitas sobre manipulação de resultados.
 
Regulamentação necessária 
 
No artigo, Ivan Moraes defende que as bets deveriam receber uma regulamentação semelhante à aplicada a outros setores que podem causar impactos sociais, como cigarro e bebidas alcoólicas. Entre as medidas apontadas estão maior controle sobre publicidade, proteção aos grupos vulneráveis e cobrança de impostos compatíveis com os custos sociais da atividade.
 
A publicidade é um dos principais pontos do debate. Com campanhas envolvendo clubes, influenciadores e grandes eventos esportivos, as plataformas conquistaram ampla visibilidade e passaram a associar as apostas ao sucesso, diversão e oportunidade financeira.
 
O tema também chegou aos governos locais. Em Recife, a redução da alíquota de imposto sobre plataformas de apostas de 5% para 2% gerou críticas entre setores que defendem regras mais rígidas para o mercado.
 
O crescimento das bets coloca em discussão um dos maiores desafios atuais: equilibrar liberdade econômica, entretenimento e responsabilidade social. Enquanto o mercado continua crescendo, aumenta a cobrança para que autoridades, empresas e o próprio esporte estabeleçam limites para evitar que a aposta deixe de ser lazer e se transforme em prejuízo financeiro e social.
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