A chamada “linguagem da geração Enzo” termo popular usado para se referir aos adolescentes e jovens da geração Z e Alpha virou um novo código de comunicação nas redes sociais e aplicativos de mensagem. Abreviações como “cpa”, “rz” e “pprt” já fazem parte do vocabulário digital de milhões de brasileiros e têm confundido pais, professores e até celebridades.
A discussão ganhou força após a atriz Ingrid Guimarães publicar uma conversa com a filha adolescente contendo a frase: “pprt. cpa nn vou p rz.” A sequência viralizou justamente por parecer incompreensível para quem está fora desse universo digital.
Traduzindo:
• “pprt” significa “papo reto”;
• “cpa” é abreviação de “se pá”, no sentido de “talvez”;
• “rz” quer dizer “resenha”, usada como sinônimo de rolê ou encontro entre amigos;
• “nn” substitui o “não”.
A comunicação acelerada das redes sociais ajudou a criar um idioma próprio entre os jovens. O objetivo é escrever rápido, reforçar pertencimento ao grupo e acompanhar tendências que mudam em alta velocidade. Expressões surgem no TikTok, viralizam em memes e desaparecem semanas depois.
Além das siglas, a geração digital também popularizou termos como “farmar aura”, “cringe”, “flopar”, “fomo”, “slay” e “gag”, misturando português, inglês, ironia e cultura de internet em uma mesma conversa.
Especialistas apontam que o fenômeno não representa “destruição” da língua portuguesa, mas uma adaptação natural da linguagem ao ambiente digital. O problema surge quando os jovens não conseguem diferenciar o contexto informal das redes da comunicação formal exigida na escola, no trabalho e em documentos oficiais.
Na prática, o desafio atual não é impedir as gírias, mas ensinar que cada ambiente exige uma forma diferente de comunicação. Na “resenha” vale “cpa”, “rz” e “pprt”. Já em provas, entrevistas de emprego e textos acadêmicos, o português formal continua indispensável.