Você já se deparou com alguém que constantemente se coloca como alvo das injustiças do mundo? Pode ser aquele colega que nunca reconhece seus erros ou um parente que transforma qualquer conversa em um lamento pessoal.
Para a psicologia, essa atitude pode ter origem em diferentes fatores, e entender o que está por trás desse padrão é essencial para lidar com ele de forma mais saudável. Entenda mais!
O que significa quando alguém se faz de vítima?
O comportamento vitimista se caracteriza por enxergar a si como alguém que sempre é o prejudicado nas situações, estando sempre em desvantagem e acreditando que o mundo está contra si. Pessoas com esse hábito tendem a transferir suas responsabilidades para fatores externos ou a outros, como explica Kênia Ramos, psicóloga do grupo Mantevida.
“Esse comportamento gera sentimentos de impotência, autocomiseração e estagnação. Além disso, essa postura frequentemente vem acompanhada de queixas excessivas, resistência a assumir responsabilidades. As pessoas vitimistas, muitas vezes procuram aliados para confirmar a sua condição”, informa.
Em muitos casos, o vitimismo é adotado inconscientemente como uma maneira de obter atenção, afeto, validação, acolhimento ou cuidados. Segundo a especialista, alguns dos fatores clínicos ou emocionais que podem levar a esse modo de agir são:
• Depressão
• Transtorno de personalidade borderline
• Questões emocionais mal resolvidas
• Vivência em famílias desestruturadas ou marcadas por figuras de autoridade
• Padrões familiares disfuncionais
• Traumas não elaborados
• Experiências de rejeição ou abandono
• Baixa autoestima
Como a terapia pode ajudar a superar o vitimismo?
Diversas abordagens terapêuticas podem ser eficazes para identificar as origens dessa postura e desenvolver estratégias que ajudem a lidar com as questões emocionais por trás dela. “A escolha da abordagem terapêutica deve considerar a individualidade do paciente, mas algumas têm se mostrado particularmente eficazes nesse contexto”, destaca Kênia.
Algumas das abordagens destacadas pela psicologa são:
• Terapia Cognitivo-Comportamental: ajuda o paciente a identificar e reestruturar pensamentos disfuncionais, desenvolvendo uma postura mais ativa e responsável
• Terapia de esquemas: indicada especialmente quando há padrões enraizados desde a infância, como esquemas de desvalorização, abandono ou autopunição.
• Psicoterapia baseada na abordagem sistêmica: ajuda na identificação de padrões familiares disfuncionais que reforçam esse comportamento