Diante de fatos envolvendo pessoas com o mesmo nome em operações de grande repercussão — Daniel Pereira (ex-governador de Rondônia), investigado na Operação Pau Oco, em inquérito promovido pela DRACO II da Polícia Civil de Rondônia, e Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), investigado pela Polícia Federal, resolvi fazer um paralelo. De antemão, afirmo que qualquer comparação entre nossos casos começa e termina em apenas um detalhe: a mera coincidência de nomes.
Segundo noticiado pela imprensa tradicional e digital, foram apreendidos seis aparelhos telefônicos de Daniel Vorcaro. De minha parte, foram apreendidos quatro aparelhos telefônicos, um notebook, um HD externo, um iPod e vários pen drives.
O que se revelou nos celulares de Vorcaro? Noticiou-se que a perícia em apenas parte dos equipamentos já causou um terremoto de alta intensidade, envolvendo altas autoridades da República e arrastando para o noticiário empresários, membros dos Três Poderes, do Ministério Público Federal e servidores públicos. A cada dia uma nova revelação é trazida à tona; os equipamentos dele geram um efeito devastador no país, como se uma bomba atômica fosse lançada sobre a Praça dos Três Poderes.
Nessa linha de paralelos, pergunto: o que foi revelado nos aparelhos apreendidos no meu apartamento, no dia 12 de abril de 2019, passados mais de sete anos? Onde eles estão?
Primeiro, é importante esclarecer que, dos quatro telefones levados da minha residência, um era da minha esposa e três eram meus: um novo, ainda na caixa; outro utilizado durante os quatro anos em que ocupei cargos no Poder Executivo Estadual; e um terceiro do Sebrae, instituição da qual eu era superintendente desde janeiro de 2019.
Considerando que fui acusado de liderar uma organização criminosa, o que foi revelado na análise de todo esse material? Um silencioso nada. Exatamente nada.
Em diversas varreduras realizadas nos volumes do inquérito e da medida cautelar de interceptação telefônica, sequer foi encontrado o termo de apreensão lavrado em meu apartamento, perante três testemunhas, na manhã do cumprimento da ignominiosa medida de busca e apreensão. Tampouco há registros do envio desses equipamentos para a Polícia Técnico-Científica (Politec), com exceção de um único chip de telefone. De todo o conjunto apreendido, essa é a única referência existente; sobre os demais itens, há silêncio total.
Poder-se-ia alegar que os equipamentos, como elementos de prova, ainda estariam em fase de investigação. Tal argumento não procede, pois o inquérito já foi concluído há pelo menos quatro anos. Até a data de hoje, nenhum desses pertences me foi devolvido.
Passado todo esse tempo, eu gostaria de ter meus documentos de volta ao menos três equipamentos: o notebook, o HD e o iPod. Neles estão registradas as fotografias de toda
a minha história, desde a infância, as quais digitalizei para preservar. Mas até dessas
memórias mais antigas eu poderia abrir mão. A perda que mais me causa dor são as fotos
de minha família, de minha esposa, de minhas filhas e do meu filho. Memórias desde o
nascimento de cada um, do nosso dia a dia e de todos os momentos felizes que vivemos
juntos.
Ademais, a ordem judicial de busca e apreensão delimitava que somente deveriam ser
apreendidos documentos relacionados aos fatos investigados no âmbito da SEDAM. A
ordem judicial não foi cumprida. Levaram todo e qualquer papel que encontraram pela
frente. Em um relatório absurdo, apontaram mais de cem páginas de documentos
alguns com mais de 30 anos de existência , mas nada do que foi levado refere-se aos
fatos investigados. Não há um único documento que tenha ligação com qualquer ilícito
ao longo de toda a minha vida. Não há na história de Rondônia um ex-governador que
tenha passado por essa humilhação, mas ao menos ela serviu para alguma coisa: nunca
existiu nada em minha vida que não se tornasse público, com zero de ilícitos e olhe que
estou na vida pública desde janeiro de 1989, quando assumi o honroso mandato de
Vereador na minha querida Cerejeiras.
Concluída essa comparação entre homônimos, deixo uma pergunta final:
Onde foram parar os aparelhos telefônicos e documentos de Daniel Pereira, acusado de
ser o líder da organização criminosa na Operação Pau Oco?
Com a palavra, a DRACO II e o Ministério Público.
DANIEL PEREIRA. Advogado e ex-governador de Rondônia