O governo do presidente Lula (PT) anunciou um pacote de investimentos para viabilizar a reconstrução da rodovia BR-319, responsável por ligar Porto Velho (RO) a Manaus (AM). O plano prevê o aporte de R$ 9 bilhões ao longo de 20 anos, focados no monitoramento e na prestação de serviços ambientais.
A reestruturação do chamado "trecho do meio" da via é uma demanda antiga, fundamental tanto para garantir o direito de ir e vir da população quanto para facilitar a logística do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM). Ao defender o asfaltamento, o presidente Lula afirmou que a estrada será “ambientalmente a mais moderna do mundo”.
Com as novas medidas de proteção, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ganha o embasamento necessário para avançar com os estudos de engenharia de forma sustentável.
Cinturão de isolamento e fiscalização
Para aliar o desenvolvimento da infraestrutura à defesa do ecossistema, o plano estabelece o aumento expressivo das áreas protegidas no entorno da estrada. A superfície preservada saltará de 85 mil quilômetros quadrados para 121 mil quilômetros quadrados.
Essa nova demarcação formará um "cinturão de isolamento" focado em conter invasões, grilagem de terras e a extração ilegal de madeira. A estratégia inclui:
Ação integrada do Ibama, ICMBio e forças policiais federais
Atuação coordenada abrangendo faixas de 50 km de cada lado da rodovia.
Criação de um corredor de Unidades de Conservação e Terras Indígenas.
Regularização fundiária e fomento à bioeconomia local.
Pioneiro no país
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o pacote contempla a contratação de um modelo de concessão inédito no Brasil. Pela primeira vez, a parceria integrará a manutenção rodoviária com serviços logísticos e de monitoramento ambiental em tempo real.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, ressaltou que a pavimentação é um direito das pessoas, mas exige rigor. “É necessário preservar e monitorar uma das regiões mais sensíveis da Amazônia”, explicou. Segundo ele, se implementado adequadamente, o projeto na BR-319 poderá servir de modelo para outras regiões do país.
Prazos e Execução
As ações do governo foram divididas em três frentes de atuação: proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e mobilidade com integração regional. A execução do pacote socioambiental ocorrerá de forma progressiva, com etapas passando a vigorar nos anos de 2026, 2027 e 2028.