GARIMPO FANTASMA: Mineradora comprou R$ 228 mi em cassiterita de áreas de Rondônia sem extração

Investigações apontam o uso de 'garimpos fantasmas' em Campo Novo de Rondônia para legalizar minério processado em Ariquemes e exportado para o mercado internacional

GARIMPO FANTASMA: Mineradora comprou R$ 228 mi em cassiterita de áreas de Rondônia sem extração

Foto: Divulgação

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A mineradora White Solder declarou à Agência Nacional de Mineração a compra de 2,3 mil toneladas de cassiterita procedentes de duas áreas em Campo Novo de Rondônia entre 2020 e 2025. Inspeções de campo e análises de imagens de satélite realizadas pela organização Greenpeace e pela Repórter Brasil registraram pastagens para gado nos locais indicados. A produção declarada nessas áreas soma o valor estimado de R$ 228,54 milhões.
 
Áreas sem sinais de extração mineral são denominadas “garimpos fantasmas”, de acordo com especialistas ouvidos pela Repórter Brasil. A prática utiliza autorizações de lavra para registrar minério retirado de locais sem licenciamento. A ausência de pesquisa geológica prévia no regime de Permissão de Lavra Garimpeira possibilita a declaração de volumes sem verificação da capacidade das jazidas.
 
A cassiterita é a matéria-prima para a produção de estanho, utilizado na soldagem de componentes eletrônicos. A empresa processa o minério em unidade industrial em Ariquemes antes do envio ao exterior. O metal processado pela companhia foi exportado para fornecedores com contratos junto ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
 
A Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal e tornou a White Solder e seu sócio-diretor réus por organização criminosa, lavagem de dinheiro e garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. O Ministério Público Federal aponta o pagamento de R$ 166 milhões a uma cooperativa para legalizar minério extraído do território indígena. O produto era transportado para Ariquemes para fundição e inserção no comércio.
 
Em Rondônia, as duas áreas declaradas situam-se a seis quilômetros da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. A presença de requerimentos de mineração no entorno afeta a área habitada por povos indígenas e grupos em isolamento voluntário. Registra-se a contaminação de rios e o aumento de conflitos nas proximidades do território.
 
O Ministério Público Federal abriu inquérito civil para apurar a cadeia de compradores do minério. Documentos enviados à comissão de valores imobiliários dos Estados Unidos citam a empresa como potencial fornecedora de companhias como Amazon, Microsoft, Disney e Intel. A mineradora não respondeu aos pedidos de posicionamento.
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