CIÊNCIA: Estudos de professor da UNIR são destaque em revistas europeias

Pesquisa do professor de Jornalismo Allysson Viana Martins esmiúça desinformação e mentiras sobre povos indígenas

CIÊNCIA: Estudos de professor da UNIR são destaque em revistas europeias

Foto: Reprodução via Instagram @Lab.midi

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O professor Dr. Allysson Viana Martins, docente do curso de Jornalismo e dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) e Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (PGDRA) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), publicou dois estudos em revistas científicas internacionais sobre a circulação de desinformação contra os povos indígenas brasileiros. Os artigos foram veiculados nos periódicos Ámbitos. Revista Internacional de Comunicación (Espanha) e Popular Communication (Reino Unido).
 
As investigações tomaram como base o acervo da agência de checagem Lupa produzido entre os anos de 2018 e 2023. O mapeamento analisou 36 checagens focadas diretamente nas populações nativas do Brasil, identificando os canais de origem, os formatos de mídia e os enquadramentos temáticos das narrativas enganosas.
 
Os dados revelam que 89% das notícias falsas analisadas circularam prioritariamente em redes sociais, com centralidade no Facebook e no WhatsApp. No Facebook, a desinformação predominou no formato de texto acompanhado de imagens ou vídeos. Já no WhatsApp, o formato em vídeo figurou como o principal recurso utilizado para disseminar boatos e relatos informais.
 
Ao explicar o motivo de os ambientes digitais terem se tornado o terreno principal para a propagação de mentiras, o pesquisador aponta fatores socioeconômicos e tecnológicos:
 
"Há um aumento do uso de smartphones conectados à internet, em conjunto com muitos planos que deixam de forma gratuita a comunicação através das redes sociais. Isso facilita que as pessoas se comuniquem mais pelos aplicativos de mensagem, por serem mais acessíveis; Além disso, as pessoas têm um contato mais direto com o celular do que, por exemplo, um computador", explica Viana Martins.
 
O professor ressalta ainda a transformação no uso das redes e a industrialização do conteúdo falso: "Surgiu uma verdadeira indústria de produção de desinformação, porque percebeu-se que compartilhando informações que mentem sobre pessoas ou sobre algum tema considerado interessante, a chance de compartilhamento e consumo é maior. A desinformação tende a ser quatro vezes mais compartilhada do que uma informação real, porque ela é mais chocante e alarmista".
 
A pesquisa veiculada na Popular Communication aponta a intensa politização das mentiras direcionadas aos povos originários. Das 36 verificações analisadas, 28 apresentaram vinculação política direta. Dentro desse recorte politizado, 24 conteúdos falsos favoreceram discursos do espectro da extrema-direita, enquanto quatro beneficiaram narrativas ligadas à esquerda.
 
 
 
GRÁFICO: Reprodução
 
 
Frente ao histórico discurso anti-indígena e à desinformação, Viana Martins destaca o avanço da autonomia comunicacional dos próprios indígenas, impulsionada pelo uso do celular nas aldeias. "Existe uma apropriação dos meios de comunicação para pegar essas tecnologias e narrarem a própria história. Ter uma autonomia de produção de conteúdo é muito importante para combater narrativas desinformativas e desordenadas”, aponta o professor
 
Para que essas narrativas ‘furem as bolhas’ e alcancem mais públicos, o pesquisador defende parcerias entre os comunicadores originários e a imprensa independente. "É importante que os povos indígenas tenham autonomia para construírem e criarem seus conteúdos e terem outros não indígenas como parceiros nessa disseminação, para que esses discursos e cosmovisões cheguem a mais pessoas".
 
Os trabalhos mostram que o volume de conteúdos falsos e de checagens sobre a temática indígena atingiu seu ápice no ano de 2023. A alta esteve diretamente relacionada à repercussão pública da crise sanitária do povo Yanomami e à criação do Ministério dos Povos Indígenas.
 
Viana Martins é pós-doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), doutor pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordena o Laboratório de Mídias Digitais e Internet (MíDI) na UNIR. O docente é autor de diversos livros e artigos científicos dedicados ao estudo do jornalismo e do combate à desinformação.
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