SEGURANÇA PÚBLICA: Entenda o que é milícia e se o esquema existe em Rondônia

Análises de pesquisadores e investigações do Ministério Público e da Polícia Federal detalham a definição de miliciano, esquemas de segurança privada armada em áreas rurais e o bloqueio de milhões de reais no estado

SEGURANÇA PÚBLICA: Entenda o que é milícia e se o esquema existe em Rondônia

Foto: Reprodução - Foto da Operação Conjunta (2022) em Nova Mutum

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
“O que é um miliciano?” foi um dos termos mais pesquisados pelos brasileiros no Google neste domingo (18). A dúvida surgiu após o debate dos presidenciáveis na TV Band, quando o ex-presidente Lula (PT) utilizou o termo ao se referir a Flávio Bolsonaro (PL).
 
Conforme a jornalista investigativa Cecília Olliveira, autora da obra Como Nasce um Miliciano, a milícia se configura como uma "organização criminosa formada, em sua maioria, por agentes públicos de segurança, que controla territórios e acumula poder econômico e político". A especialista destaca que o grupo não atua como um poder paralelo externo, mas opera infiltrado nas próprias instituições estatais.
 
A pesquisadora explica que a estrutura funciona como um modelo de negócios focado na comercialização de serviços e na cobrança de taxas de moradores e comerciantes. A partir dessa base, esses grupos expandem suas atividades para o sistema político e utilizam a infraestrutura do Estado para estruturar a venda de serviços e obter ganhos financeiros.
 
 
Atuação de milícias privadas em conflitos agrários em Rondônia
 
 
Segundo o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), a atuação desse tipo de organização no estado está frequentemente ligada a regiões de disputa fundiária. Conforme noticiado anteriormente pelo Rondoniaovivo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou quatro pessoas por comporem uma "estrutura armada, estável e permanente" que atuou entre janeiro de 2019 e maio de 2026 nos municípios de Buritis, Ariquemes, Machadinho d'Oeste e Cujubim.
 
De acordo com dados oficiais da Operação Labirinto de Bronze, os denunciados trabalhavam armados na segurança privada de propriedades rurais. O grupo executava "ações de vigilância de propriedades rurais, intimidação e retirada de ocupantes, enfrentamento de grupos rivais", além de realizar a lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e registros de bens em nome de terceiros.
 
Em razão das investigações, a Justiça aplicou medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens avaliados em R$ 31,3 milhões. O Gaeco/MPRO informou que as ações patrimoniais alcançaram contas bancárias, imóveis, sete veículos e a constrição de 1.611 cabeças de gado bovino, somando um valor total investigado de R$ 48 milhões ao longo das etapas da operação.
 
 
Investigações sobre grilagem e envolvimento de agentes públicos
 
 
Levantamentos da Polícia Federal (PF) apontam que outra organização de milícia rural atuou na grilagem de terras públicas em Rondônia, com a participação de policiais civis, policiais militares e agentes públicos.
 
Conforme apurou a PF em operações contra o grupo, os investigados movimentaram R$ 450 milhões em esquemas de invasão de áreas públicas e na contratação de segurança armada na região.
 
 
Organização criminosa em residencial da capital
 
 
Uma célula de organização criminosa investigada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) exercia o domínio territorial de um residencial popular localizado na Zona Sul de Porto Velho, onde mantinha pontos de venda de drogas, sistema de vigilância armada e controle rígido sobre o acesso de moradores e visitantes. 
 
A estrutura do grupo organizava-se com divisão de tarefas entre olheiros, executores, responsáveis pela guarda de armamentos, arrecadação do dinheiro do tráfico e aplicação de sanções internas. 
 
Entre 2024 e 2025, a célula praticou crimes como homicídios, extorsão, porte ilegal de armas e restrição de liberdade, além de protagonizar ataques contra uma facção rival no segundo semestre de 2024 e manter coordenação direta com detentos do sistema prisional.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site