A pesquisa no alto da Amazônia que busca insetos de dia e anfíbios a noite
Foto: André Dib/ Agência FAPESP
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Uma expedição científica reúne 16 pesquisadores no topo da Serra do Aracá, no norte do Amazonas, para realizar um dos maiores levantamentos de biodiversidade já feitos nas montanhas isoladas da região.
A equipe coleta animais, plantas, amostras de solo e água e material genético para identificar espécies e compreender os ecossistemas de altitude da Amazônia.
A pesquisa é financiada pela FAPESP e conta com apoio logístico e de segurança do Exército Brasileiro.
O acampamento foi instalado a 1.260 metros de altitude, sobre um tepui — formação montanhosa de topo plano — localizada a cerca de 220 quilômetros ao norte de Barcelos.

O isolamento da Serra do Aracá aumenta a expectativa de encontrar espécies ainda desconhecidas pela ciência.
Durante os primeiros dias, pesquisadores registraram entre oito e nove espécies de anfíbios e quatro a cinco de lagartos.
Um pequeno lagarto encontrado em áreas abertas de arenito é considerado provável espécie nova.
Na área de pequenos mamíferos, a captura de um roedor do gênero Zygodontomys, que não havia sido encontrado em expedições anteriores ao Pico da Neblina e à Serra do Imeri, também chamou a atenção dos cientistas.
A equipe de botânica já coletou mais de 100 espécimes, incluindo plantas do gênero Vellozia, conhecidas como canela-de-ema, e orquídeas terrestres do gênero Catasetum.
As amostras serão incorporadas a acervos científicos e compartilhadas com instituições brasileiras e estrangeiras.
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O levantamento também revelou surpresas entre as aves.
Apesar da expectativa de encontrar uma floresta mais povoada, os pesquisadores observaram baixa densidade de pássaros nas áreas de encosta.
Em contrapartida, a abundância de flores favoreceu a presença de beija-flores, incluindo registros de Colibri delphinae, espécie ainda não identificada nas expedições anteriores realizadas na região.
O trabalho exige diferentes estratégias conforme o comportamento dos animais.
Ornitólogos começam as atividades por volta das 4h, enquanto equipes de herpetologia entram na mata ao anoitecer para localizar anfíbios, que utilizam o período mais fresco e úmido para vocalizar.
A expedição também reforça a importância das coleções científicas.
Mesmo insetos que não são alvo direto de determinadas pesquisas, como os cupins coletados pela entomologista Gabriela Procópio Camacho, são preservados e encaminhados a museus para estudos futuros.
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A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento ajude a revelar como a vida se adaptou às condições particulares dos tepuis amazônicos e amplie o conhecimento sobre áreas que permanecem entre as menos estudadas da biodiversidade brasileira.
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