Porto Velho registra sensação térmica de até 43°C, enquanto dados globais mostram avanço do aquecimento e maior frequência de eventos extremos
Foto: Secom/RO
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O avanço das mudanças climáticas já produz efeitos perceptíveis em Rondônia. Em Porto Velho, nesta última semana foi marcada por calor intenso, com sensação térmica chegando a 43°C, aumentando a preocupação com a saúde da população. Diante das altas temperaturas, órgãos públicos reforçaram orientações e ações de prevenção, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde destacou os riscos de desidratação e agravamento de problemas cardiovasculares, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
O episódio local ocorre em um contexto de aquecimento global. Dados do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas mostram que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média global de 15,10°C, equivalente a 1,60°C acima do nível estimado para o período pré-industrial. Foi o primeiro ano-calendário a superar a marca de 1,5°C, embora esse resultado anual não signifique que a meta do Acordo de Paris tenha sido definitivamente ultrapassada, já que ela considera médias de longo prazo.
O calor extremo é apenas uma das manifestações de um sistema climático em transformação. O aumento das temperaturas pode contribuir para maior estresse térmico, alterações no regime de chuvas, secas mais severas e episódios de precipitação intensa.
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Na Amazônia, os impactos ganham dimensão especial. A região depende de um delicado equilíbrio entre floresta, umidade, rios e circulação atmosférica. Secas severas e temperaturas elevadas podem afetar os recursos hídricos, a agricultura, a geração de energia, o transporte e a saúde.
Rondônia está diretamente inserida nesse cenário. Porto Velho, além de enfrentar períodos de calor extremo, também sofre os efeitos de alterações no regime dos rios e das chuvas. A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e períodos de estiagem aumenta a exposição da população ao chamado estresse térmico.
O próprio Copernicus registrou, em 2024, uma expansão das áreas do planeta submetidas a condições de estresse térmico forte ou extremo. Em 10 de julho daquele ano, aproximadamente 44% da superfície terrestre estava nessas condições.
O episódio registrado em Porto Velho reforça que a mudança climática não é apenas uma questão ambiental ou distante. Ela também representa um desafio para saúde pública, planejamento urbano e infraestrutura.
A resposta passa por sistemas de alerta, preparação das unidades de saúde, acesso à água, áreas de sombra e arborização urbana, além de orientação para que a população evite exposição prolongada ao sol nos horários de maior calor.
A Secretaria Municipal de Saúde recomenda atenção especial à hidratação e aos sinais provocados pelo calor intenso. Idosos e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis à desidratação.
Os dados globais reforçam a tendência. Os dez anos entre 2015 e 2024 foram os dez mais quentes da série histórica, segundo o Copernicus. Em 2025, a temperatura global recuou em relação ao recorde de 2024, mas ainda ficou em nível excepcionalmente elevado, com 1,47°C acima do período pré-industrial.
Para Rondônia, o alerta é concreto: o calor extremo já afeta a rotina das cidades e impõe novos desafios para a saúde e a infraestrutura. A adaptação aos eventos climáticos mais intensos deixa de ser uma agenda futura e passa a fazer parte das necessidades imediatas da população.
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